Autismo

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Tema: Autismo

Introdução

Bleulet em 1911 foi o primeiro a introduzir a expressão “autismo” para designar a perda do contato com a realidade, a qual acarreta uma grande dificuldade ou impossibilidade na comunicação. Kanner, em 1943, ampliou o estudo utilizando essa mesma expressão para descrever os casos de crianças que apresentavam comportamentos bastante originais, sugerindo assim que setrata de uma inabilidade em estabelecer contato afetivo e interpessoal. A partir da descrição de Kanner, inúmeros aportes quanto à epidemiologia, classificação e reconhecimento do autismo têm contribuído de forma significativa para a compreensão dos aspectos biológicos dos transtornos invasivos do desenvolvimento (TID). As dificuldades na interação social podem manifestar-se como isolamento oucomportamento social impróprio; pobre contato visual; dificuldade em participar de atividades em grupo; indiferença afetiva ou demonstrações inapropriadas de afeto; falta de empatia social ou emocional, uma vez que possuem uma interpretação equivocada a respeito de como são percebidos pelas outras pessoas. As dificuldades na comunicação ocorrem em graus variados, tanto na habilidade verbal quanto nanão-verbal de compartilhar informações com outros. Os padrões repetitivos e estereotipados de comportamento característicos do autismo incluem resistência a mudanças, insistência em determinadas rotinas, apego excessivo a objetos e fascínios com o movimento de peças como, por exemplo, as rodas ou hélices. Os critérios do DSM-IV para diagnosticar o autismo têm um grau elevado de especificidade esensibilidade em grupos de diferentes faixas etárias e entre indivíduos com habilidades cognitivas e de linguagem distintas.

Neuropatologia e neuroimagem

O entendimento atual da neuropatologia do autismo é baseada no trabalhos de Bauman & Kemper27-29, que encontraram alterações neuropatológicas consistentes no sistema límbico e nos circuitos cerebelares de 11 cérebros estudados até o momento. Ascélulas do sistema límbico (hipocampo, amígdala, corpos mamilares, giro anterior do cíngulo e núcleos do septo) são pequenas no tamanho e aumentadas em número por unidade de volume (densidade celular aumentada) em comparação a controles. Isso levou os autores a postularem um atraso no desenvolvimento maturacional dos circuitos do sistema límbico. Nos cerebelos estudados, foi encontrado um númerodiminuído de células de Purkinje, especialmente no neocerebelo pósterolateral e no córtex arquicerebelar adjacente (porções posterior e inferior do cerebelo). É importante salientar que o
núcleo olivar inferior, nos cérebros estudados, não apresentava a perda neuronal retrógrada esperada (secundária à perda de células de Purkinje). Isso sugere que as alterações ocorridas nesses cérebros deindivíduos autistas aconteceram ao redor das 30 semanas de gestação, antes do estabelecimento da conexão entre a oliva e as células de Purkinje. O aumento do volume cerebral em crianças autistas muito jovens parece seguir um gradiente ânteroposterior: os lobos frontais são os que mostram crescimento maior, e o oposto ocorre nas regiões ocipitais49,50.
Estudos recentes têm utilizado ressonância magnéticafuncional (fMRI) para estudar áreas de processamento social em casos de autismo. Normalmente, durante um exame de fMRI, há uma acentuada ativação do giro fusiforme (área facial fusiforme) em reposta a figuras de faces, que está marcadamente diminuída em autistas, os quais tendem a ativar outras regiões (frontais, occipitais). A hipoativação da área fusiforme facial independe de idade ou quocientede inteligência, mas parece ser relacionada com o grau de déficit social e poderá vir a ser utilizada como um marcador biológico que pode ser replicado em autistas. Essa área de pesquisa em autismo reforça a idéia de um circuito social envolvendo o giro fusiforme (reconhecimento de faces), a amígdala (atribuição de significado/.valor. emocional do que é visto), os giros temporais superior e...
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