Atletas no limite

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  • Publicado : 27 de maio de 2012
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Romper os limites do corpo é o prazer de todo atleta de supercompetições. O ultramaratonista brasileiro, Bernardo Fonseca, que participou da Ultramaratona da Antártica treinou para essa prova com uma esteira ergométrica dentro de um frigorífico. Na competição para o Ultraman, o atleta Alexandre Ribeiro treinava dando corridas de seis horas. É aí que surge a polêmica: será que exigir o máximo docorpo em esportes de ultrarresistência pode ser prejudicial à saúde?
Pesquisadores de fisiologia têm opiniões divergentes: uns acham benéfico os treinos de alta intensidade para alguns sistemas orgânicos, e, outros, no entanto, acreditam que há sempre risco imprevisível de infarto agudo do miocárdio e lesões articulares. Para o ex-triatleta da seleção brasileira Alexandre Mazan, a melhor maneirade evitar riscos é fazer da consciência sua aliada.
Para isso, segundo o atleta, é preciso dar tempo ao corpo para ele se equilibrar. Ele acha ideal fazer uma programação de uma aventura mais longa por ano ou algumas menores mais vezes e fazer treinos diários para crescer gradativamente. Ele mesmo treina cerca de três horas por dia, controla a alimentação, evita saídas à noite. Mas a opinião dosespecialistas é um pouco diferente do triatleta. Eles acreditam que os riscos existem independentemente das realizações de treino diário. Até porque os próprios treinos são realizados em intensidades muito elevadas, o que também pode ser considerado risco Eles explicam que a recuperação do organismo após a prova, também deve ser levada em conta porque dificilmente será plena, já que o atleta nãopode parar de tentar. Muitas vezes não se consegue comer o necessário para suprir o gasto calórico. E os estímulos do exercício físico são diários e compostos de várias sessões. Então, o atleta quase sempre está no limite entre o excesso de treinamento (over training) e o estímulo necessário para atingir o ápice. Os pesquisadores explicam que nem todos os organismos são capazes de aguentar umtreinamento tão radical quanto dos atletas acima.
A morte sem aviso de atletas jovens e aparentemente saudáveis no local de competição causa choque aos fãs do esporte, mas médicos ponderam que é pequena a probabilidade de morte como a do nadador Alexander Dale Oen, ídolo da Noruega no nado peito que teve semana passada uma parada cardíaca debaixo do chuveiro, depois de um treino. A razão é de um casopara cada 133 mil atletas masculinos de alto rendimento, desses que vivem para ganhar medalhas e troféus, de acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Para atletas mulheres, mais raro ainda: um óbito para 700 mil esportistas. Apesar de poder contar nos dedos os casos entre quem leva a competição ao limite, atletas por recreação não estão livres dos riscos.
— A impressãoque se tem é que, com a rapidez atual dos meios de comunicação, os casos de morte súbita durante a prática esportiva ganharam mais destaque nos últimos anos, mas não necessariamente ficaram mais frequentes — crê o presidente da sociedade, Jomar Souza. — Infelizmente, por mais tecnologia que se tenha, será impossível zerar os casos de morte súbita em atletas. Em alguns casos, a doença que o atletatinha no coração só se manifesta uma vez, na hora da morte.
Um estudo realizado por médicos de um grupo de trabalho para o Comitê Olímpico Internacional em Lausanne, na Suíça, identificou as características mais comuns dos competidores de alto rendimento — com até 35 anos — que morrem durante a atividade. Metade morreu por causa de doenças cardíacas herdadas geneticamente dos pais. Outros 10%,devido a arterosclerose cardíaca desenvolvida precocemente. Quarenta por cento dos atletas tinham menos de 18 anos, e para cada mulher que morreu, houve outros nove homens, uma proporção ainda menor que o indicado pela sociedade brasileira da especialidade. Foram encontrados casos em quase todos os esportes no levantamento feito com dados registrados entre 1966 e 2004 e publicado pelos médicos...
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