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Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto Fonte: LOPES NETO, J. Simões. Contos gauchescos e lendas do sul. 3 ed. Porto Alegre : Globo, 1965. Texto proveniente de: A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo Permitido o uso apenas para fins educacionais. Texto-base digitalizado por: Luiz Abel Silva - Palhoça/SC Este material pode ser redistribuídolivremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para . Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se você quer ajudar de alguma forma, mande um e-mail para e saiba como isso é possível.

LENDAS DO SUL João Simões Lopes Neto

A MBOITATÁ

I

FOI ASSIM: num tempo muito antigo,muito, houve uma noite tão comprida que pareceu que nunca mais haveria luz do dia. Noite escura como breu, sem lume no céu, sem vento, sem serenada e sem rumores, sem cheiro dos pastos maduros nem das flores da mataria. Os homens viveram abichornados, na tristeza dura; e porque churrasco não havia, não mais sopravam labaredas nos fogões e passavam comendo canjica insossa; os borra-lhos estavam seapagando e era preciso poupar os tições... Os olhos andavam tão enfarados da noite, que ficavam parados, horas e horas, olhando, sem ver as brasas vermelhas do nhanduvai... as brasas somente, porque as faíscas, que alegram, não saltavam, por falta do sopro forte de bocas contentes. Naquela escuridão fechada nenhum tapejara seria capaz de cruzar pelos trilhos do campo, nenhum flete crioulo teria faronem ouvido nem vista para bater na querência; até nem sorro daria no seu próprio rastro! E a noite velha ia andando... ia andando...

II

Minto: no meio do escuro e do silêncio morto, de vez em quando, ora duma banda ora doutra, de vez em quando uma cantiga forte, de bicho vivente, furava o ar; era o téu-téu ativo, que não dormia desde o entrar do último sol e que vigiava sempre, esperando avolta do sol novo, que devia vir e que tardava tanto já… Só o téu-téu de vez em quando cantava; o seu — quero-quero! — tão claro, vindo de lá do fundo da escuridão, ia agüentando a esperança dos homens, amontoados no redor avermelhado das brasas. Fora disto, tudo o mais era silêncio; e de movimento, então, nem nada.
III

Minto: na última tarde em que houve sol, quando o sol ia descambando parao outro lado das coxilhas, rumo do minuano, e de onde sobe a estrela-d’alva, nessa última tarde também desabou uma chuvarada tremenda; foi uma manga d’água que levou um tempão a cair, e durou… e durou... Os campos foram inundados; as lagoas subiram e se largaram em fitas coleando pelos tacuruzais e banhados, que se juntaram, todos, num; os passos cresceram e todo aquele peso d’água correu para assangas e das sangas para os arroios, que ficaram bufando, campo fora, campo fora, afogando as canhadas, batendo no lombo das coxilhas. E nessas coroas e que ficou sendo o paradouro da animalada, tudo misturado, no assombro. E era terneiros e pumas, tourada e potrilhos, perdizes e guaraxains, tudo amigo, de puro medo. E então!... Nas copas dos butiás vinham encostar-se bolos de formigas; as cobrasse enroscavam na enrediça dos aguapés; e nas estivas do santa-fé e das tiriricas, boiavam os ratões e outros miúdos. E, como a água encheu todas as tocas, entrou também na da cobra-grande, a — boiguaçu — que, havia já muitas mãos de luas, dormia quieta, entanguida. Ela então acordou-se e saiu, rabeando. Começou depois a mortandade dos bichos e a boiguaçu pegou a comer as carniças. Mas só comia osolhos e nada, nada mais. A água foi baixando, a carniça foi cada vez engrossando, e a cada hora mais olhos a cobra-grande comia.

IV

Cada bicho guarda no corpo o sumo do que comeu. A tambeira que só come trevo maduro dá no leite o cheiro do milho verde; o cerdo que come carne de bagual nem alqueires de mandioca o limpam bem; e o socó tristonho o biguá matreiro até no sangue têm cheiro de...
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