Asuhaush

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cultura, suscitada pela preocupação
em compreender outros povos.
Não podemos usar analogias para
revelar as idiossincrasias de outros estilos
de vida sem aplicar estes últimos como "controles" na rearticulação de
nosso próprio estilo da vida. O entendimento antropológico setorna um "investimento" de nossas ideias e de nosso modo de vida no sentido maisamplo possível, e os ganhos a seremobtidos têm, correspondentemente,implicações de longo alcance. A
"Cultura" que
vivenciamos é ameaçada,criticada, contraexemplificada pelas "culturas" que criamos, e vice-versa.O estudo
ou
representação de
uma outra
cultura não consiste
numa
mera "descrição"
do
objeto,
do
mesmo
modo queumapintura
não
mera-
mente"
descreve" aquilo que figura. Em ambos os casos há uma simbo
lizaçãoque
está conectada
com
a intenção inicial
do
antropólogo
oudo
artista de
representar
o seu objeto. Mas o
criador não
pode
estar cons-
ciente dessa intenção simbólica ao perfazer os detalhes de sua invenção,pois isso
anularia
o efeito
norteador de
seu"
controle"
e
tornariasua
invenção autoconsciente.
Um
estudo antropológico
ou uma obra de
arteautoconsciente é aquele
queé manipulado
por
seu
autor
até o
ponto
emque ele diz exatamente o que queria dizer, e exclui aquele tipo de extensão
ou
autotransformação
que
chamamos de
"aprendizado"
ou
"expressão".Assim, nosso
entendimento tem
necessidade
do que
lhe é externo,objetivo, seja este a própria técnica, como
na
arte
"não
objetiva"
ou
obje
tos de pesquisa
palpáveis.
Ao forçar
a
imaginaçãodo
cientista
oudo
artista a seguir
por
analogia as
conformações
detalhadas
de
um
objeto
externo e imprevisível, sua invenção adquire
uma
convicção que de
outra
forma não se imporia. A invenção é
"controlada"
pela imagem da realidade e pela falta de consciência
do criador
sobre o fato de estar criando.Sua imaginação -e muitas vezes
todo
o seu autogerenciamento -é
com-
pelidaa
enfrentar uma nova
situação; assim
como no choque
cultural,ela é frustrada em sua intenção inicial e levada a inventar
uma
solução.O que o pesquisador de campo inventa, portanto, é seu próprio entendimento: as analogias
que
ele cria são extensões das suas próprias
no.Ç~s
e daquelas de sua cultura, transformadas
por
suas experiências da situaçãode campo. Ele utiliza essas últimascomo uma espécie de "alavanca", comofaz o atleta
no
salto com vara,
para
catapultar sua compreensão
para
além
40
A presunção da cultura
dos limites impostos
por
pontos de vista prévios. Se ele pretender que suasanalogias não sejam de modo algum analogias, mas uma descrição objetivada cultura, concentrará esforços
para
refiná-las de
modo
a aproximá-lascada vez mais de sua experiência.Quando encontra discrepâncias entre suaprópria invenção e a "cultura" nativa tal como vem a conhecê-la, ele alterae retrabalha sua invenção até que suas analogias pareçam mais apropriadas
ou
"acuradas". Se esse processo
é
prolongado, como
é
O
casOnO
decurso
do
trabalho de campo, o uso da ideia de "cultura" pelo antropólogo acabará
por
adquirir
uma
forma articulada e sofisticada.Gradualmente, o objetode estudo, o elemento objetificado
que
serve
como "controle"para
suainvenção, é inventado
por
meio de analogias que incorporam articulaçõescada vez mais abrangentes, de
modo que
um
conjunto de impressões érecriado
como um
conjunto de significados.
O
efeito dessa invenção é tão
profundo
quanto inconsciente; cria-seo objeto
no
ato de tentar representá-lo maisobjetivamente e ao mesmo
tempo
se criam
(por
meio de extensão analógica) as ideias e formas
por
meio das quais ele é inventado.
O
"controle",
seja o modelo
do
artista
ou
a
cultura
estudada, força o
representador
a
corresponder
às impressões
que
tem sobre ele, e
no
entanto essas impressões se alteram à medida
que
ele se vê mais e mais absorto
em
sua tarefa.
Um
bom...
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