Associação do documentário “o prisioneiro da grade de ferro” com o artigo “depois das grades: um reflexo da cultura prisional em indivíduos libertos

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  • Publicado : 4 de abril de 2013
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O documentário retrata a penitenciaria do Carandiru, a maior prisão existente na atualidade na América Latina. Os indivíduos nela inseridos que por diferentes motivos não obedeceram às limitações de liberdade básicas estão pagando pena de acordo com seu processo.
De acordo com o artigo “Depois das Grades: Um reflexo da cultura prisional em indivíduos libertos” a prisão é, portanto, integrante docódigo de condutas de Direito penal, e, em regra, ocorre quando o indivíduo superdimensiona suas liberdades em detrimento de outros valores humanos.
No documentário é possível vermos a perda da individualidade. Os indivíduos inseridos nesse contexto perdem a identidade devido às medidas de tratamento padronizadas, as roupas uniformizadas, assim como os cortes de cabelos e as medidas detratamento e destaca-se também a situação precária quanto à saúde e as celas superlotadas.
Leal, (1998) fala que os direitos básicos relacionados à dignidade humana, como a possibilidade de higiene, são frontalmente desrespeitados, já que, nos presídios, há carência ate mesmo de sabonetes, escovas e pastas de dente, o que contribui para a disseminação de doenças.
No artigo, o autor salienta que oprincípio básico da liberdade humana tem suas limitações como única forma de garantir outros direitos também muito importantes. Cada liberdade possui limites que precisam ser nitidamente estabelecidos. No documentário é mostrada a falta desta liberdade, o direito de livre expressão não é respeitado, como um dos detentos fala “aqui não se pode expressar da forma que quer, tem que ter cuidado, pois podeser mal entendido e aí agente se ferra”, o direito à privacidade que também não é respeitado, todos convivem em uma mesma sela, usam o mesmo banheiro e assim por diante.
Muitas vezes os internos utilizam máscaras prisionais (Haney, 2001) por meio das quais tentam camuflar os sentimentos de vulnerabilidade. No fundo a maioria possui medo de ser explorada e dificuldade de confiar nas pessoas, o quepode repercutir numa alienação tanto de si numa alienação tanto de si como do outro e na possibilidade de elaborar um embotamento afetivo. A cada dia, o interno vivencia um período de “desaculturação.” As práticas cotidianas anteriormente vivenciadas são substituídas pela assimilação de muitos aspectos presentes no ambiente penitenciário.
O mundo do recluso é marcado por violências e agressões,não apenas de ordem física como também moral. A submissão do preso a essas experiências tem, como uma das suas conseqüências, a assimilação da cultura prisional pelo interno por meio de um processo descrito como “prisionalização”. No filme isso é evidenciado quando um dos indivíduos conta que lá tem agressão, tem violência física, sexual e psicológica; mostra a faca que eles produzem para sedefenderem e mostra também um cena de presidiários que morreram esfaqueados dentro da prisão.
Outro fator que marca este ‘mundo recluso’ são os altos paredões cercados com arames farpados que limitam dois mundos antagônicos, o da liberdade e o do confinamento. As portas fechadas, as proibições, o cerceamento e a impossibilidade do recluso em conviver com o ambiente social externo ao cárcere são algunsdos aspectos que definem o presídio como uma instituição total (Goffman, 1987). Talvez estes aspectos também apresentados pelo filme dificultem ainda mais a capacidade de adaptação desses internos.
Ao longo do tempo, as experiências de injustiça, violência, entre outras vivenciadas no complexo carcerário, tornam-se “naturalizadas” em decorrência da internalização. Esse processo atenua osofrimento do preso e funciona como um mecanismo de defesa que possibilita o sujeito a acostumar-se com as condições de vida que lhe são impostas (Bitencourt, 1993; Haney, 2001; Thompsin, 1976/1998).
No fundo, a maioria dos presidiários possui medo de ser explorada e dificuldade em confiar nas pessoas, o que pode repercutir numa alienação tanto de si como do outro e na possibilidade de elaborar um...
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