As vendas dos vinhos da ribeira minho às ‘fábricas de aguardente’ da companhia geral do alto douro ( 1779-1786)

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As vendas dos vinhos da Ribeira Minho às ‘fábricas de aguardente’
da Companhia Geral do Alto Douro ( 1779-1786)*


Antero Leite
ACER - Associação Cultural e de Estudos Regionais
www.acer-pt.org









1.Introdução


Em 1756 é instituída, por Alvará do Marquês de Pombal a Companhia Geral do AltoDouro. Entre os vários privilégios que lhe foram sucessivamente concedidos
salienta-se o do exclusivo da produção e venda das aguardentes nas três Províncias
do Norte de Portugal, Minho, Trás-os Montes e Beira estabelecido pelo alvará de 16.12.1760 o qual no seu preâmbulo dispunha que ‘as Agoas ardentes se fabricassem de boaLei e puras’[1].


A Companhia ficava, então, com a possibilidade de controlar a qualidade e o preço da aguardente a adicionar ao vinho do Douro[2] para o que iria adquirir aos lavradores o que de melhor se produzia nas vinhas de enforcado e de cepa.
Para a Ribeira Minho foi nomeado, como Intendente da Companhia, o comissáro Balthazar Coutinho que se instalou em Monção. Competia-lhe aadministração das fábricas de aguardente que se situavam em Cambeses (Quinta de Sende), Troviscoso, S. João de Longos Vales, Tangil, Valadares (Hospital e S. Martinho) e Melgaço (Prado).







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Fig. 1
Nota: ‘Gonçalo Pereira Caldas, do Conselho de Sua Majestade, foi Tenente Geral dos Reais
Exércitos e, a partir de 1803, foi Governadordas Armas da Província do Minho’[3]


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Fig. 2 -Alambique antigo pertencente à colecção etnográfica do Arq. Luís de Magalhães Fernandes Pinto- Casa e Quinta da Calçada, Melgaço[4]

Os vinhos comprados pelo comissário eram transportados em carretos para a destilação nas diversas ‘fábricas’ segundo método que a Companhia havia adoptado após a aprendizagem em Françade um seu mestre destilador[5]. A destilação fazia-se em alambiques com capacidades oscilando entre 11 e 45 almudes[6]. Por vezes utilizavam-se alambiques volantes alugados[7] (ver Fig.s n.º 1 e 2). Os tipos de aguardente produzida eram: prova redonda ( 80% )e prova de escada (20%).[8] O vasilhame, em madeira de carvalho, era obra de tanoeiros da região mas também se recebiam pipas vindas, pormar, do Porto.


O vinho destilado era conduzido em pipas para os armazéns da Companhia em Monção e daqui seguia, acompanhado de guias, para o ‘carregadouro’ de Lapela de onde era conduzido em grandes barcas pelo rio Minho até Caminha (ver Fig.s n.ºs 3 a 5 e Mapa 1). Na Alfandega as pipas de aguardente eram vistoriadas, oneradas com ‘direitos de saída’ e depois carregadas em iates elanchas com destino aos armazéns da Companhia em Vila Nova de Gaia.


Neste nosso trabalho procuramos sobretudo salientar o processo de venda dos vinhos e particularmente os preços praticados tendo em conta as diferentes proveniências. Concluiremos por uma tentativa de abordagem, ainda que sucinta, aos efeitos da política da Companhia no desenvolvimento da Ribeira Minho.


2. As vendas dosvinhos nos anos de grandes colheitas

O período de 1772 a 1780 caracterizou-se por uma produção abundante de vinhos na Ribeira Minho. Em consequência os preços baixaram o que motivou a intervenção da Câmara ‘fixando um preço mínimo de venda e a proibição dos vendeiros comprar vinho novo antes do S. Martinho’[9].
A penalizar a situação dos lavradores foi proibida, pelo Alvará de 7 de Agosto de1776, a exportação de vinhos para as terras do Reino por qualquer barra.
Surge então a alternativa de venda à Companhia.
O ano de 1780 foi de ‘grande aguardentação’[10].
Consultámos no Arquivo da Real Companhia Velha o ‘Livro das Receitas e Despesas das fábricas de Monção’[11] relativo a 1779-1781 onde se encontram registadas as declarações de vendas (Ver Fig.s n.ºs 6, 7 e 8). Com...
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