As organizações vistas como prisões psíquicas

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  • Publicado : 24 de janeiro de 2013
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As Organizações vistas como prisões psíquicas
A metáfora de Platão define a realidade como sendo composta de dois domínios, os quais são o domínio das coisas sensíveis e o domínio das idéias. Para ele a maioria da humanidade vive na infeliz condição da ignorância, ou seja, vive no mundo ilusório das coisas sensíveis as quais são mutáveis, não são universais e nem necessárias e, por isso, não sãoobjetos de conhecimento. Este mundo das idéias, percebido pela razão, está acima do sensível que só existe na medida em que participa do primeiro, sendo apenas sombra dele.
A Análise Organizacional estuda as organizações segundo diferentes metáforas, com a finalidade de permitir interpretações e contribuir para o sucesso das organizações.
Analisar as organizações como prisões psíquicas nosauxilia a administrar e compreender processos de mudanças.
O título prisão psíquica é muito adequado porque define a organização como um fenômeno psíquico, ou seja, aquilo que existe na cabeça das pessoas, formado por processos conscientes e inconscientes quanto à criação e à manutenção. Às prisões, os indivíduos estão confinados por imagens, ideias, pensamentos e ações para os quais esses processosfazem sentido.
Os processos classificados como conscientes estão intimamente relacionados com a maneira de pensar das organizações, pela aceitação do que parece lógico sem um julgamento mais acurado. Isto caracteriza um aprisionamento do pensamento que pode conduzir a armadilhas cujas formas mais comuns são:
- armadilha pelo sucesso: quando uma empresa encontra-se num elevado nível de sucesso,não imagina, não percebe a infiltração de concorrentes com alta capacidade de expansão no mercado. Um exemplo de conhecimento comum é da indústria automobilística americana frente à japonesa.

- armadilha da organização "frouxa": institucionalização da ineficiência como no caso do controle de qualidade que permite taxas de defeitos ao invés de exigir "zero defeitos".
- armadilha pelo pensamentocoletivo: o pensamento do "consenso assumido" inibe as pessoas de expressar suas dúvidas, levando a decisões precipitadas e posteriormente, melhor analisadas, julgadas insensatas.
Com relação aos processos inconscientes, as maiores contribuições provêm de Sigmund Freud. Segundo sua teoria, o inconsciente é criado pela repressão humana dos desejos e pensamentos próprios. Torna-se um reservatóriode impulsos reprimidos e traumas que podem entrar em erupção a qualquer momento.
Freud estabeleceu uma separação muito importante entre o inconsciente e a cultura, que na realidade são dois lados de uma mesma moeda, ocultando ou manifestando formas de repressão. O inconsciente é a repressão oculta enquanto a cultura é a repressão manifesta que permite a socialização humana. A essência dasociedade é a repressão do individual e a essência do individual é a repressão de si mesmo. Portanto, o indivíduo é reprimido pela sociedade, manifestando-se pela cultura, e reprimido por si mesmo ocultando-se no inconsciente.
A cultura, segundo Freud, é o resultado da repressão de desejos e pensamentos ocultos no inconsciente. Estes devem ser buscados numa análise mais profunda da culturaorganizacional de uma empresa.

Seus estudos com relação às organizações como prisões psíquicas resultaram na linha denominada "organizações e sexualidade reprimida". Recebeu críticas de mulheres do movimento feminista por entenderem que, como um homem, abordou valores masculinos caindo na armadilha de seu próprio inconsciente de preocupações sexuais.
Na abordagem das organizações como prisões psíquicas,ressalta-se o aspecto que não são simplesmente moldadas pelo ambiente onde estão inseridas, mas também pelos conceitos inconscientes de seus membros e de forças inconscientes que modelam as sociedades nas quais existem.
Ao estudar as organizações procura-se observar os laços que unem o indivíduo a elas e não apenas materiais, morais, ideológicos ou sócio-econômicos, mas sobretudo de natureza...
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