As muitas faces do populismo: a massa batendo palmas o termo populismo, sem ser dos mais longevos do compêndio político do mundo ocidental, carrega já uma intrincada história. não obstante os medievalistas o tenham

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  • Publicado : 25 de março de 2011
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As Muitas Faces do Populismo: a Massa Batendo Palmas
O termo populismo, sem ser dos mais longevos do compêndio político do mundo Ocidental, carrega já uma intrincada história. Não obstante os medievalistas o tenham utilizado para identificar as doutrinas de força ascendente formuladas por autores como Marsílio de Pádua (1275-1342) e outros, o nome só entremostra-se na época moderna, em meio aduas idéias de forte carga teleocrática - revolução e democracia – que lhe configuram o sentido até hoje. Fenômeno tipicamente urbano, o populismo significou um avanço nas relações econômicas, com tendência a alcançar os moldes capitalistas. O populismo não foi uma experiência política exclusiva da América Latina. Em lugares como Russia e Estados Unidos, no século XIX, teve fortes bases agrárias efoi pensado como uma alternativa ao capitalismo. Mas foi em território latino americano que este fenômeno histórico e político deixou suas marcas mais entranhaveis, claro , a partir da década de 30. Efetivou-se em muitos países, adiquirindo particularidades em cada um deles, mas sempre lembrando que em muitos deles, destacamos traços em comum. Dentre os principais líderes populistaslatino-americanos surgidos a partir de 1930, pode-se destacar: Lázaro Cárdenas (México), José Maria Velasco Ibarra (Equador), Getúlio Vargas (Brasil), Juan e Eva Perón (Argentina), Jorge Eliérce Gaitán (Colômbia) e Victor Raúl Haya de la Torre (Peru). Os dois últimos têm em comum o fato de nunca terem chegado à presidência.
Muito embora o embrião da politica populista possa ser encontrado na Segunda Guerramundial, no governo Vargas, e em outras administrações, a forma populista de governo foi muito predominante na América tendo seu declinio no período do pós-guerra em meados da década de 60.
A política populista caracterizava-se pela forte presença do Estado como agente regulador das relações de produção e dos antagonismos de classe, bem como pela mobilização de setores sociais historicamenteexcluídos das decisões políticas, fundamentando-se no apoio popular. Diante disso quais as principais semelhanças entre os governos populistas da América Latina? Uma de suas marcas fundamentais é a relação de caráter pessoal entre as massas e o governante, relações estas carregadas de emotividade, de cunho paternalista e personalista, envoltas numa complexa rede de significações e simbologias. Os políticospopulistas são estigmatizados como burlões do povo, por suas promessas jamais cumpridas e como aqueles capaz de articular retórica fácil com falta de caráter (GOMES, 2001). O sentido negativo não diz respeito apenas à figura do político populista, mas ao fenômeno como um todo, pois só é possível a eleição de um populista por eleitores que não sabem votar ou que sempre se comportam de maneiradependente ou subordinada, como se estivessem à espera do “príncipe encantado”. A título de exemplo destacam-se os regimes populistas de Getulio Dorneles Vargas, no Brasil (1937/1945) e Juan Domingo Perón, na Argentina (1946/1955). A identificação de Vargas, e também de Perón, com a imagem do líder espiritual, condutor das massas e salvador da Pátria é uma constante nos escritos da época. Vargas eraapresentado como o “Grande Salvador Nacional”, a única autoridade capaz de harmonizar as opiniões e os pontos de vista: ele era o líder responsável pela superação do caos que havia se instalado na sociedade.
(...) apoiado no patriotismo e na fidelidade das forças armadas, o Presidente Getúlio Vargas salvou o Brasil do abismo que o esperava. (Cultura Política, 1942, p.205); confiemos em nossoschefes, que eles nos conduziram certamente aos braços da vitória, nas auras embalsamadas do triunfo. (Cultura Política, 1941, p.78); (...) Tenha-se sempre presente que ao aniversariante de 19 de abril coube a missão de salvar a Pátria em horas de extremo perigo. (OESP, 13-04-43)
A revista Cultura Política, em 1941, afirmava que, no defrontamento direto com as massas, nas ruas, e nos lugares...
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