As intermitencias da morte

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As Intermitências da Morte
Autor José Saramago
País Portugal
Género romance
Editora Editorial Caminho
Lançamento 2005
Páginas 214
ISBN 972-21-1738-6
As Intermitências da Morte é um livro do escritor português José Saramago publicado em 2005. Sua frase inicial "No dia seguinte ninguém morreu" é ponto de partida para ampla divagação sobre a vida, a morte, o amor e o sentido, ou a faltadele, da nossa existência.
Fiel ao seu estilo e ainda mais sarcástico e irônico, Saramago vai além de reflexões existenciais, fazendo uma dura crítica a sociedade moderna (o país da obra é fictício) ao relatar as reações da Igreja, do Governo, do Clero, dos repórteres, dos filósofos, dos economistas, das funerárias, casas de pensão, hospitais, seguradoras, das famílias com um moribundo em casa,da máphia, etc.
Índice
1 Enredo
2 Discussões acerca da linguagem e da obra
3 Trechos
4 Referências

Physiognomische Fragmente, 1775-78, representa o rosto da morte encoberta pela máscara de uma mulher, como na obra de Saramago
Pode-se dividir a obra em três partes. A primeira é a intermitência da morte, uma visão panorâmica dos fatos a partir do dia 1º de Janeiro, quando ninguém maismorreu naquele país. Aqui são abordados os paradoxos da ausência da morte, conflitos, discussões e soluções para o problema dos que não morrem nem podem voltar a viver, os moribundos.
No sétimo capítulo há uma carta encaminhada pela morte a uma emissora de televisão, para que seja levada a público a notícia de seu retorno. Contudo, o retorno dar-se-á sob novas regras: “a partir da meia-noite de hojese voltará a morrer tal como sucedia, sem protestos notórios (...) ofereci uma pequena amostra do que para eles seria viver para sempre (...) a partir de agora toda a gente passará a ser prevenida por igual e terá um prazo de uma semana para pôr em dia o que ainda lhe resta na vida”. Para cada um a quem estivesse a chegar a temida hora da partida sem volta, o tal prazo de sete dias seria precedidopelo recebimento de uma carta, de autoria da morte, anunciando-lhe a “rescisão deste contrato temporário a que chamamos vida”. Este novo sistema de anunciação e a reacção das pessoas - também calamitosa - tomará os próximos três capítulos.
No décimo capítulo, uma dessas cartas - que deveria ser recebida por um violoncelista - é devolvida à remetente (tal como o pode ocorrer em autênticascorrespondências postais), e a partir daí há uma narração mais clássica com personagens (a morte e o músico), espaço e conflitos bem definidos. Nesta parte a morte é humanizada, para muitos o ponto alto do livro. Gabriel Perisséu, escritor e crítico, afirma que "importa saborear a sabedoria com que o autor aborda a personificação da morte e a necessidade que esta sente (feminina ela se apresenta) de seramada".
Discussões acerca da linguagem e da obra

“As palavras também têm a sua hierarquia, o seu protocolo, os seus títulos de nobreza, os seus estigmas de plebeu.”
Aliando-se a uma tendência de desconstrução surgida no século XX, o narrador em Saramago por diversas vezes dialoga com o leitor, rompe o fluxo ficcional para discussões sobre o léxico ou sobre a própria narrativa. Em certomomento o narrador brinca com a verosimilhança ao dizer que o leitor perguntará como a morte pagou os ingressos com os quais veria uma apresentação do músico (quando, na verdade, a própria existência física da morte já seria racionalmente inverosímil).
Trechos

"A vantagem da igreja é que, embora às vezes o não pareça, ao gerir o que está no alto, governa o que está em baixo. (...) a nossa outraespecialidade, além da balística, tem sido neutralizar, pela fé, o espírito curioso".[1]
“De Deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas.”, página 146
“Os amantes da concisão, do modo lacónico, da economia de linguagem, decerto se estarão perguntando porque, sendo a ideia assim tão simples, foi preciso todo este arrazoado para chegarmos enfim ao ponto crítico. A...
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