As instituições femeninas em africa

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AS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS NO FEMININO EM AFRICA
O Caso particular de Angola do séc. XIV ao séc. XX, Aspectos Histórico – Antropológicos, Sociais – Jurídicos e Espirituais

“A mulher é o braço agrícola, a geração; a dona dos filhos e a mestra da casa.
Os filhos e a terra são, realmente, os dois pólos em termos dos quais gira a vida da mulher Lunda.”
É bem verdade que desde a mas remotaantiguidade em África, as questões relacionada com a terra, a obtenção, propriedade e manutenção dela, esta ligada a mulher e ao arquétipo da feminilidade, aspecto que tende a se perder em algumas regiões africanas devido a aderência ao chamado direito positivo por intermédio da colonização.
Em todas as sociedades africanas a mulher representa o ponto fulcral e central da organização de qualquercomunidade organizada, sendo ela a primeira formadora dos filhos, quem legitima o seu posicionamento na comunidade, geradora por excelência; logo esta questão esta intrinsecamente ligada a feminilidade e a fertilidade, o que dá a mulher um papel eminentemente sagrado.
Desta feita, a relação da terra com a mulher enraíza-se em concepções remotas engendradas de acordo com a natureza feminina esegundo as quais lhe são congénitas as faculdades de fecundidade e de fertilidade.
“Os indivíduos femininos são mulheres desde que nascem, os indivíduos masculinos são apenas homens, no conceito viril do termo, somente depois do Ritual de Iniciação Masculina”. Razão pela qual, afirmamos que a condição da mulher faz dela por natureza das suas atribuições (pelo menos em Africa) uma instituição em simesma. Se por um lado a “Mulher Nasce”, por outro lado o “Homem Faz-se”.
É nosso propósito nesta dissertação, falar-mos de forma abrangente do papel desta instituição imemorial em África (a mulher). Vamos falar deste dela não com conceitos eurocêntricos, mas fazendo uma perspectiva pluri e multidisciplinar (histórica, antropológica, sociológica, jurídica), recorrendo essencialmente a africanidadeprofunda, confrontando a Africa com a Africa, criando uma ruptura epistemológica, isto é, o confronto da Africa de ontem com a(s) Africa(s) de hoje, suportando os nossos argumentos no saber cientifico africano contemporâneo como os Professores Cheikh Anta Diop, Teophile Obenga, Prince Dike Akwa, Mário de Souza Clington e tantos outros cientistas africanos. E agimos desta forma por ser urgente quea Africa e os seus problemas devam ser pensados e resolvidos pelos africanos. Abordaremos também o lugar da mulher nas sociedades africanas na antiguidade e idade media e pré colonial (perspectiva histórica – sociológica – antropológica), a personalidade jurídica da mulher africana através do alambamento (ontem e hoje) e o papel das Escolas de Iniciação Feminina nas nossas sociedades.
Nosaprofundaremos também no valor das instituições femininas na Angola Profunda, como a INSTITUIÇÃO NZINGA (sim é uma instituição) no Império do Kongo e Reino do Ndongo, a INSTITUIÇÃO MAMBO, a INSTITUIÇÃO NTUMBA NYI KALUNGA no Império Lunda – Cokwé entre outras, tratando de figuras proeminentes da história do território que é hoje Angola, como a MWENE NZINGA MBANDI, MWENE LWEJI WA KONDA, MAMA KIMPA VITA,MWENE NYA KATOLO, entre outras, confrontando-as com as figuras femininas de proa da nossa história recente como DEOLINDA RODRIGUES, TERESA AFONSO, LUCRÉCIA PAIM, IRENE COHEN, ENGRÁCIA DOS SANTOS, e tantas outras lendas vivas como MAMBO CAFÉ, MARIA EUGÉNIA NETO e tantas outras que o nosso silencio deixara mudo, que deram e dão o seu contributo a Mátria (Pátria) Angolana, o Útero que a todos nóssustenta.

O Lugar da Mulher nas Sociedades Africanas Antigas e Medievais

Ao falar-mos das antigas sociedades africanas, obriga-nos a começar pelo essencial e o fundamental da estruturação destas sociedades, KHMT o Antigo Egipto Faraónico e a Núbia (com Dongola, capital de Kush, Meroé), raiz original das civilizações africanas, como nos orienta o Professor Ch. A. Diop de que o Egipto Antigo...
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