As idades de erikson

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INDÚSTRIA x INFERIORIDADE
O quarto estágio é o período etário dos seis aos onze anos. São anos da escola primária (descritos na psicanálise clássica como fase de latência). É o tempo em que o amor da criança pelo pai ou pela mãe (do sexo oposto ao seu) e a rivalidade com o do mesmo sexo, ficam em repouso. É, também, o período em que a criança torna-se capaz de raciocínio dedutivo e debrincar e aprender por regras. Somente neste período, por exemplo, que ela pode jogar bolas de gude, damas e outros jogos em que “cada um tem sua vez” e que exigem obediência às regras. Erikson, afirma que, a dimensão psicossocial que emerge durante este período, tem, num extremo, o bom senso de indústria e, no outro, o senso de inferioridade.
A palavra indústria escreve esplendidamenteum tema dominante neste período de escola primária durante o qual predomina o interesse pela maneira como as coisas são feitas, como funcionam e para que servem. É a idade de Robinson Crusoé, no sentido em que o entusiasmo e o pormenor minucioso com que Crusoé descreve suas atividades agradam ao próprio e nascente senso de indústria infantil. Quando as crianças são estimuladas em seus esforçospor fazer, realizar ou, ainda, construir coisas práticas (seja construir cabanas no alto de árvores ou modelos de aviões ou, ainda, cozinhar, fazer doces etc.), quando têm permissão para terminar seus produtos e são elogiadas e recompensadas pelos resultados, então o senso de indústria é promovido. Ao contrário, os pais que consideram os esforços dos filhos, no sentido de fazer e realizar, comosimples “travessuras” ou como causa de “bagunça”, ajudam a estimular o senso de inferioridade, na criança.
Durante os anos da escola primária, contudo, o mundo da criança abrange mais do que o lar. Nesta altura, instituições sociais outras, além da família, vêm a desempenhar um papel importante na crise de desenvolvimento do indivíduo. (Neste ponto, Erikson introduz mais um avanço na teoriapsicanalítica, que até aqui, se preocupava apenas com os efeitos do comportamento dos pais, sobre o desenvolvimento da criança). As experiências escolares da criança contribuem de forma muito importante para o seu equilíbrio entre indústria e inferioridade. Por exemplo, criança com Q.I.de 80 a 90, portanto abaixo da média, pode sofrer uma experiência traumática, na escola, mesmo quando seu senso deindústria é recompensado e estimulada em casa. Ela é uma criança “inteligente demais” para ficar nas turmas especiais, mas ao mesmo tempo, é “lenta demais” para competir com as crianças de capacidade intelectual média. Consequentemente, passa por constantes fracassos nos deveres escolares, que reforçam seu senso de inferioridade.
Por outro lado, a criança que tenha tido o seu senso deindústria desestimulado no lar, poderá tê-lo revitalizado na escola, por obra de um professor sensível e interessado. Por conseguinte, se a criança irá formar um senso de indústria ou inferioridade, já não depende unicamente dos cuidados zelosos dos pais, mas das ações e iniciativas, também, dos outros adultos que interagem com ela.


IDENTIDADE x CONFUSÃO DE PAPÉIS
Quando a criança passa àadolescência (mais ou menos na idade de 12 aos 18 anos), segundo a teoria psicanalítica tradicional, ocorre um novo despertar do problema do romance familiar da primeira infância. Sua maneira de resolver este problema é procurar e encontrar um parceiro romântico de sua própria geração. Embora Erikson não rejeite este aspecto da adolescência, chama atenção para o fato de que há outros problemas. Oadolescente, tanto mental como fisiologicamente, e, além dos novos sentimentos, sensações e desejos que experimenta, em decorrência de modificações orgânicas, desenvolve uma infinidade de novos meios de entender o mundo e de pensar a respeito dele. Entre outras coisas, os adolescentes podem hoje imaginar a respeito de como pensam as outras pessoas e conjeturar sobre o que estas pessoas pensam a...
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