As duas faces de lolita

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  • Publicado : 6 de julho de 2011
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AS DUAS FACES DE LOLITA: O JOGO DE PARADOXO NA OBRA DE VLADIMIR NABOKOV
Resumo: O objetivo deste artigo é fazer uma breve análise do romance Lolita do russo Vladimir Nabokov com o intuito de mostrar a existência de paradoxo envolvendo os personagens principais Humbert Humbert e Dolores Haze (Lolita). Através do jogo paradoxal, o autor possibilita ao leitor a interpretar o texto de váriasformas, assim também, como a amar ou odiar os personagens. Dessa forma, caberá ao leitor tirar suas próprias conclusões com relação ao caráter dos personagens.

INTRODUÇÃO
“Mas, seria Humbert um pedófilo ou um simplesmente um homem apaixonando por uma ninfeta?” ou ainda, “Lolita é uma vítima ou uma ninfeta manupuladora?” Estas são perguntas que fazem o leitor refletir ao deparar-se com uma obratão complexa e controversa como Lolita de Vladimir Nabokov. Devido ao seu caráter um tanto quando perverso, sensual e romântico, muitas são as dúvidas que surgem com a leitura dessa história, que é ao mesmo tempo apaixonante e repugnante.
Embora seja a obra de Nabokov consagrada pela sua polêmica retratação da pedofilia, o romance ultrapassa as barreiras da perversão sexual atingindo o nível doamor romântico, mesmo sendo caracterizado pela obsessão e pela manipulação. Os personagens são construídos por paradoxos que levam o leitor a interpretar o romance por vários caminhos entre eles o do amor romântico, assim como também da perversão sexual – pedofilia, e da ingenuidade duvidosa de uma menina de 12 anos de idade que manipula seu amante para ter seus caprichos satisfeitos.
Após umabreve análise desses paradoxos, será perceptível para o leitor os dois lados do romance e, posteriormente, deverá o mesmo tirar suas próprias conclusões com relação ao caráter dos personagens.

1. AMOR EM FORMA DE PERVESÃO SEXUAL

O estudo da perversão remete-se a vários pontos de partida, desde aspectos morais, culturais, sociais e patológicos. Para Fleing (2008) apud Martins (2008) em“Lolita um romance sobre a perversão?”, o termo perversão é muito antigo e provém da teologia moral cristã, significando inversão do suposto natural. Desta forma, nasce marcado pela caracterização de um comportamento que se afastaria do prescrito pela natureza.
Já no campo sexual, este comportamento natural estaria relacionado com a reprodução, tornando-se pecado o que fosse fora dela. Para apsiquiatria, o termo é utilizado para uma série de comportamentos sexuais, repudiados socialmente.
Devemos, assim, ressaltar a diferença entre atitudes perversas, traços de qualquer individuo, e estruturas psíquicas perversas, constituídas de patologia propriamente dita. Quanto a essa distinção, Freud (1905) afirma:
Nenhuma pessoa sadia, ao que parece, pode deixar de adicionar alguma coisa capaz deser chamada de perversa ao objetivo sexual normal, e a universalidade desta conclusão é em si insuficiente para mostrar quão inadequado é usar a palavra perversão como um termo de censura.” (FREUD, 1905, p.163)

Assim, podemos dizer que, em casos patológicos de perversão sexual, o ser humano é capaz de superar as resistências do nojo, da moral, da vergonha e da dor, porém, em pessoas normaisessa capacidade de superação é restrita.
A pedofilia, caracterizada como perversão sexual (um caso patológico) pela psicanálise, ao ser abordado por Nabokov em Lolita, torna o caso ainda mais polêmico. Seu personagem Humbert é marcado pelo relacionamento que mantém com Lolita, uma menina de 12 anos e sua obsessão pela adolescente.
O que procuramos trabalhar aqui é o paradoxo que envolve ospersonagens anteriormente citados. Apesar da evidente patologia de Humbert, é notória a existência do amor romântico do pedófilo por Lolita, além de evidências sobre as “duas faces” da ninfeta que, apesar de apenas 12 anos de idade, mostra-se sedutora e manipuladora de seu amante. Dessa forma, o leitor é levado a vários rumos que os remetem a muitas interpretações: “Assim começa a confissão do...
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