As crises do capitalismo

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  • Publicado : 12 de abril de 2011
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INTRODUÇÃO

A construção do desenvolvimento da produção pelo capitalismo ocorreu através de sucessivas crises econômicas, produzindo no período de 1825 às vésperas da II Guerra Mundial um total de catorze crises. As relações de produção se deram em pouco mais de um século, com instabilidades no modo de produção, acarretando em depressões, falências, quebras do mercado e miséria aostrabalhadores.
As primeiras crises iniciaram-se em 1825, na Inglaterra. A partir de 1847-1848, espalham-se para todo o mundo. A maior crise mundial foi a de 1929, que teve dimensões devastadoras.
Abordaremos neste trabalho as crises capitalistas e o ciclo econômico, pluricausalidade e função das crises e as contradições do capitalismo, bem como as intervenções políticas econômicas emacroeconômicas com intuito de reduzir os impactos destas.
O Modo de Produção Capitalista (MPC), desde a sua existência, alterna entre a prosperidade e a depressão, sendo impossível o desenvolvimento deste modo de produção sem as crises, pois não existiu, não existe e não existirá capitalismo sem crise.

1- AS CRISES CAPITALISTAS E O CICLO ECONÔMICO

1- AS CRISES CAPITALISTAS

Não é emvirtude de a crise ser um elemento constitutivo do MPC que possa existir naturalmente, não importando sua contextualização histórica. As ideologias burguesas propagam a existência das crises como algo imprevisível como um desastre natural que foge ao controle da sociedade, trazendo transtornos à vida de uma população. È necessário evidenciar que: “as crises são inevitáveis sob o capitalismo; mas éperfeitamente possível e viável uma organização de economia estruturalmente diferente da organização capitalista, capaz de suprimir as causas das crises.” (José Paulo Netto, 2007, p. 157).
É claro que em sociedade onde o MPC não é predominante também podem ocorrer crises econômicas. Podemos verificar isto em sociedades pré-capitalistas aonde o desequilíbrio na produção conduziu aoempobrecimento e á miséria. Os desastres naturais como as grandes epidemias (por exemplo, a peste negra – dizimando os produtores) ou as grandes catástrofes sociais (por exemplo, as guerras – destruindo os meios de produção e as forças produtivas), são características de crises desta sociedade, por residirem no fato de destruição dos produtores diretos e dos meios de produção. Estas crises têm comoconseqüência direta, uma carência geral dos bens necessários à vida social. Essas crises apontam uma escassez da produção de valores de uso, sendo por isso nomeada de crises de subprodução de valores de uso.
As crises resultantes do MPC são antagônico ás crises que ocorrem na sociedade pré-capitalista. Enquanto que, na sociedade pré-capitalista, a diminuição da força de trabalho, (provocada por morte detrabalhadores a exemplo de uma epidemia) leva a uma redução significativa da produção, na crise capitalista, contrariamente, o que ocorre é uma diminuição da produção, levando a redução da força de trabalho utilizada, acarretando desemprego. “O que numa é causa, noutra é efeito” (Netto, 2007, p. 158). Assim, a crise capitalista apresenta-se inversamente à crise pré-capitalista, quão uma superproduçãode valores de uso. O que ocorre, não é produção insuficiente de bens, nem falta de valores de uso, mas uma falta de escoamento dos valores, pois não encontra consumidores aptos a pagar o seu valor de troca, o que no linguajar dos economistas, se traduz por insuficiência da demanda solvável de mercadorias e não por insuficiência de produção, levando os capitalistas a travar a produção. O que ocorrenesta crise é uma oferta exagerada de mercadoria em analogia à procura (demanda), encurtando ao limite a produção. Em síntese: “Todo ou parte do valor de troca criado (na produção) não pode ser realizado (através da venda no mercado): as mercadorias [...] não podem ser vendidas por seu valor, tendo em vista a insuficiência da demanda” (Salama e Valier, 1975: 114). Isto leva os capitalistas a...
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