« As confissões de caim »

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« As Confissões de Caim »

A noite chegava devagar, e à minha frente a minha mágoa, que me
percorria a alma inteira, por te ter deixado ali assim, sozinha,
desprotegida, tão frágil mas ao mesmo tempo tão forte!
Os teus cabelos de cor doirada faziam-me lembrar o ouro com que
desejava te presentear, até ao fim da minha vida!
Os teus olhos grandes azuis imensos, faziam-me lembrar o mar, ecom isso vinham as recordações dos tempos em que era ainda um
menino, que brincava com as pedrinhas reluzentes, e conchas e
estrelinhas que se encontravam na areia, lá na ilha onde eu
vivia.
Era um país pequeno aquele mas tão belo, tão perfeito que até me
vêm as lágrimas aos olhos cada vez que penso ou que olho para
ti.
Deves estar a perguntar-te porquê que choro ao olhar-te, ou
porque ficotão triste cada vez que te vejo!
Não tenho nada contar ti, nunca tive, pelo contrário!
Mas a verdade é que essa tua beleza, que até a mais grava
tristeza consegue enganar é tanta, tão pura, tão frágil, que me
faz ter medo, me de me entregar, e depois cair e nunca mais me
levantar!
Sabes? Já tive uma experiência assim quando sai da minha ilha.
Desde muito cedo tive de aprender a lidar com ascoisas más da
vida.
A minha família era muito pobre, havia dias que nem tinhamos o
que comer, e eramos 8 irmãos, vê lá tu!
A minha mãe nunca tinha trabalhado, deves estar a perguntar a ti
mesma porquê, mas naquele tempo era assim, os homens não queriam
que as mulheres trabalhassem, machismo dizes tu? Talvez, não
sei.
O que é certo é que as mulheres tinham que ficar em casa a
cuidar dosfilhos, do marido e a fazer todo o trabalho de um
lar!
O meu pai era um homem bom, eusei que sim, e amava-nos, embora
não o demonstra-se, mas tinha-se perdido com a bebida, depois de
ter perdido a perna na primeira guerra mundial.
Acho que esse foi mesmo o motivo que o levou a agarrar-se a essa
porcaria, de tal modo que chegava a ter dias que até batia na
minha mãe, pela mais pequena coisaque ela pudesse dizer!
A mim, nunca me tocou!!
Talvez fosse por eu ser assim, magrinho, franzino, de olhos
verde-água, e tão branquinho, tão branquinho, que tal como a
minha mãe dizia, quase que parecia um anjo que deus mandou para
a alegrar, já que os seus dias eram tão escuros, tão
descoloridos e desprovidos de qualquer felicidade, tão
tristes...

No outro dia, quando já estava sóbrio,lá vinha ele agarrar-se a
ela, pedindo-lhe desculpa. E ela, bem, ela desculpava-o.
Por vezes sentia tal revolta cá dentro que tinha que me agarrar
com todas as minhas forças ao meu amuleto da sorte, não fosse
ele tão resistente, até podia partir!
Naquela altura não entendia o porquê da minha mãezinha, que era
tão linda, tão jovem, tão elegante, perdoar sempre o meu pai,
que era um bêbado,um brutamontes, uma criaturazinha mesquinha
e, da pior espécie!
Hoje, percebo porquê!
Era o AMOR, não fosse o amor que ela nutria por ele tão grande,
com certeza há muito que já o teria deixado.
Talvez te estejas a perguntar como é eu descobrir que era devido
ao AMOR, afinal, ainda era eu tão jovem pra falar de algo tão
grande!
Mas a verdade é que mesmo sendo assim tão novo o conheci,naquela linda manhã, em que te vi pela primeira vez!
Estavas tu sentada num banquinho de pedra, lá no jardim
principal da nossa humilde cidade, a olhar as crianças
brincarem,a rirem, a confraternizarem, numa tão grande harmonia
que me é impossível de descrever.
De repente, uma criança suja, de roupas rasgadas e mais magro
que a própria magreza, aproximou-se dos outros meninos, que há
já unsminutos que a olhavam com desdém.
Um dos meninos que brincava no parque chegou-se à frente,
empurrando a outra criançinha, deitando-a ao chão.
De imediato esta começou a chorar, e foi ai que me apaixonei por
ti!
Ainda me lembro como se fosse hoje, levantaste-te e dirigiste-te
a ela, as outras crianças foram desaparecendo aos poucos, com um
sentimento de culpa que só visto, o modo como a...
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