As categorias de gramisci e a realidade brasileira

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 10 (2456 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 15 de janeiro de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
presentação
 
 
Políticas públicas de responsabilização na educação
Vários aspectos nas políticas de responsabilização que estão chegando ao Brasil, mais por imitação e menos por terem fundamento em evidência empírica positiva, merecem atenção se não quisermos embarcar em uma nova década perdida para a educação.
O cenário econômico brasileiro está mudando com sua inclusão entre os países eleitoscomo plataforma de investimento produtivo direto. Somos o quinto país na preferência internacional por investimento produtivo direto (Investe São Paulo, 2012). Novas demandas no campo da infraestrutura estão em pauta, para alavancar este novo cenário (Arbache, 2011). Entre elas, a questão da educação.
Ao final de 2011, o ministro da Fazendo Guido Mantega incluiu a educação entre as condições deinfraestrutura necessárias para que o Brasil pudesse crescer acima de 4,5% ao ano (Mantega, 2011). Também o discurso do atual ministro da Educação, ao tomar posse, revela uma preocupação com o papel da educação tanto para alavancar processos de inovação, como para permitir melhorar a competitividade do Brasil nas disputas internacionais por mercado (Mercadante, 2011).
Novos atores estão seconstituindo, entre eles movimentos organizados financiados por empresários, fundações privadas, institutos, organizações não governamentais (ONGs) e até mesmo uma nascente indústria educacional procura firmar-se em meio a este cenário. Tais atores alegam ter soluções mais diretas e objetivas para as questões educacionais do que os educadores profissionais, e isso tem levado a uma disputa de agendasentre estes e os reformadores empresariais da educação.1Para os últimos, a lógica do mercado e seus princípios constituem-se em uma "teoria da organização" que acumula resultados positivos na gerência da iniciativa privada e, portanto, deveriam ser a base das reformas educacionais no Brasil (Senna, 2012).
Os educadores profissionais acompanham este movimento com apreensão, pelo fato de que a educaçãoé um fenômeno social mais amplo e que, do ponto de vista de seus compromissos formativos com a juventude, não pode ter na economia seu único determinante. Ao ser aprisionada na lógica empresarial, a educação perde sua dimensão de um bem público mais amplo, cujos horizontes devem ser um projeto de nação e não apenas a expressão de uma demanda de um dos seus atores, os empresários, por maisimportante que estes possam ser.
Mais preocupante ainda são algumas das soluções que estão em curso no Brasil e no exterior – notadamente no país que mais testou esta estratégia, os Estados Unidos – e que têm servido de inspiração para estes novos atores em nosso país (Gall & Guedes, s/d) – seja pela própria natureza das proposições, uma espécie de "teoria da responsabilização" gerencialista everticalizada (Afonso, 2009; Freitas, 2011), seja pela falta de evidência empírica que dê suporte e justificativa para a adoção destas soluções apressadas.
Esta "nova abordagem" para as políticas públicas de educação está sendo construída em torno dos conceitos de responsabilização, meritocracia e privatização. Estes constituem um bloco interligado onde a responsabilização pelos resultados (leia-se:aumento da média em testes nacionais e internacionais) é legitimada pela meritocracia (distinções ou sanções fornecidas com base no mérito de ter aumentado ou não as médias) com a finalidade de desenvolver novas formas de privatização do público (o qual é desmoralizado pela meritocracia das médias mais altas), visando a constituição de um "espaço" que se firma progressivamente como "público nãoestatal" em contraposição ao "público estatal". Nas formas de privatização pela vertente "público não estatal" encontram-se as concessões e os vouchers – ambos envolvendo repasse de dinheiro público para a iniciativa privada (cf. The Economist, 2012; Fang, 2011). Na modalidade "não estatal" as escolas continuam "públicas", já que seu patrimônio continua sendo do Estado e os alunos continuam tendo...
tracking img