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Apresentação
Analisada nos seus diversos significados, a palavra incluir tem sentido de: compreender, implicar, abranger, conter em si. É termo usual da Biologia, Matemática, Geologia, mas aqui será tratada com maior relevância em relação à Pedagogia, em que incluir será igual a inclusão, para fazer valer o verdadeiro sentido de pertencer a um grupo social.
EFICIÊNCIAS DO EDUCADOR NO TRATO DASDEFICIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM é o tema central deste minicurso, assim escolhido para o professor pensar no seu fazer pedagógico, refletir sobre ações necessárias e importantes para ser, de fato, dentro e fora da sala de aula, um investigador atuante, um formulador de hipóteses, consciente, um verdadeiro construtor de uma prática educativa voltada para o conhecer e o conquistar.
Para isso,selecionamos várias abordagens, diferentes artigos, nos quais você, educador, terá a oportunidade de saber que a Educação Inclusiva é um modelo educacional de todos e para todos, que o envolvimento de pais, professores e alunos é fundamental, e que a Escola, enquanto instituição voltada para o desenvolvimento integral do educando, precisa se organizar para que sejam oferecidas condições para a realizaçãodessa prática, consolidando, assim, a ideia de atender às diferenças.
Desejamos uma boa leitura e um excelente aproveitamento deste instrumento de trabalho.

NÃO SOMOS FIGURINHAS
Rev: 08/11/2011
Claudia Werneck
Uma menina muito ressabiada. Era como se tivesse medo de gente. Família, padrinhos, vizinhos e professores não conseguiam entender o que a impedia de viver em paz com seus iguais."Mas o problema é justamente esse", gesticulava ela, amaciando com seus dedinhos o pelo macio de seu gato magro, branco e preto - o Bandidão. "Não somos iguais, não somos iguais, é tudo mentira. Eu olho para a Pati, o Ivan, o Ademir, a Tatá e só vejo diferenças."
Os adultos se entreolhavam desanimados e pediam mais explicações. "Como diferentes, minha filha? Somos seres humanos, gente igual avocê, iguais entre nós: duas pernas, dois bracinhos, dois olhos, uma língua, um cérebro, dez dedos na mão, dez no pé..."
Bandidão não estava nem aí para aquela conversa sempre tão óbvia. Entediado, deu um pinote, abandonando o colo de sua dona.
Mas, ainda no ar, enquanto preparava suas patas para uma aterrissagem em segurança, ouviu sair dos lábios dela, também como um pinote, algo que a garota nuncahavia dito: "E quem não tem duas pernas? Ou não escuta? Ou tem dois olhos, mas um é de vidro? Ou é muito feio? Aí não é gente? Para ser gente não basta nascer? E os bebês, não são diferentes? Por que vocês insistem em me convencer de que somos iguais? Gente não é como figurinha, que nós arrumamos em fila, deixando de lado as amassadas e as rasgadas para decidir o que fazer com elas depois".Bandidão estava emocionado. Entendera tudo, ora pois pois. A menina não tinha medo de gente. Acuada, sofria por outras razões. Faltava-lhe era coragem para discordar do pensamento dos adultos.
Confiante por ter conseguido, enfim, explicar sua angústia para os pais, ela experimentou uma sensação nova: sentiu pressa, muita pressa de ir para a escola. Pela primeira vez, sentia prazer em ser gente.Dedicou um último olhar de amor para Bandidão e seguiu pela rua.

Claudia Werneck é jornalista formada pela UFRJ com especialização em Comunicação e Saúde pela Fiocruz. Em 2002, fundou a ONG Escola de Gente - Comunicação em Inclusão que já sensibilizou cerca de 400 mil pessoas em 17 países para a causa da inclusão de pessoas com deficiência por meio de ações em educação, cultura, inclusão ejuventude.©Instituto Rodrigo Mendes. Licença Creative Commons BY-NC-ND 2.5. A cópia, distribuição e transmissão dessa obra são livres, sob as seguintes condições: Você deve creditar a obra como de autoria de Claudia Werneck e licenciada pelo Instituto Rodrigo Mendes; é vedado o uso para fins comerciais; é vedada a alteração, transformação ou criação em cima dessa obra.Artigos - Não somos figurinhas -...
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