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Porque o Serviço Social não é trabalho?
Karina Dala Pola *
Evaristo Colmán **

* Assistente Social/UEL dala_pola@yahoo.com.br
** Assistente Social/PUC-SP, doutor em História pela UNESP e docente do Curso de Serviço Social da UEL colman@uel.br

RESUMO:
Este artigo discute o argumento central do Professor Sergio Lessa segundo o qual o Serviço Social não pode ser considerado trabalhoporque não transforma a natureza. No movimento argumentativo colocam-se algumas das analises utilizadas por Marx na apropriação da categoria trabalho.

PALAVRAS CHAVE : Trabalho, trabalho produtivo, Serviço Social e trabalho.

ABSTRACT:
This article discusses the center of a reasoning presented by Sergio Lessa, according to whom the Social Services cannot be considered as work because they donot transform nature itself. In the arguing, some analyses employed by Marx concerning the appropriation of work are discussed.

KEY WORDS: Work, Productive Work, Social Services.


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Introdução

Este artigo discute o argumento central do Professor Sergio Lessa segundo o qual o Serviço Social não pode serconsiderado trabalho porque não transforma a natureza. De acordo com ele “...em primeiro lugar, e antes de qualquer coisa, porque o Serviço Social não realiza a transformação da natureza nos bens materiais necessários à reprodução social” (LESSA, 2000, pág. 52). A nossa pretensão é fazer uma primeira aproximação à polêmica já instalada.

No debate acerca do que tem se convencionado denominar “astransformações do mundo do trabalho”, “reestruturação produtiva” e outros termos semelhantes, alguns autores defendem a centralidade da categoria trabalho como fundante do mundo dos homens. Estes se opõem polemicamente àqueles que relativizam e, no limite, negam a determinação do trabalho na constituição do ser social. A polêmica não se restringe ao plano teórico nem ao espaço acadêmico, uma vezque, o questionamento da centralidade do trabalho tem conseqüências políticas que afetam as estratégias do movimento dos trabalhadores.

Essa polêmica afeta também o serviço social. Nada mais natural no caso de uma categoria profissional cujas vanguardas têm se caracterizado por assumir explicitamente um direcionamento crítico. Fica evidente, a partir disso, a importância de refletir acerca dosvínculos entre o Serviço Social e a categoria trabalho, com todas suas implicações. Determinar estes vínculos tornou-se uma via de acesso para compreender como se insere esta profissão na sociedade capitalista.

O debate se intensificou principalmente, após a aprovação pela ABESS[1] (Associação Brasileira de Ensino em Serviço Social), das Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação emServiço Social, em 1996, na qual o Serviço Social é definido como uma especialização do trabalho, sendo sua prática entendida como um processo de trabalho que possui como objeto “as múltiplas expressões da questão social”.[2]

Contra esta interpretação de o Serviço Social ser uma forma do trabalho social coloca-se Lessa, da Universidade Federal de Alagoas, que vem afirmando claramente que o ServiçoSocial não é trabalho. Trata-se de uma tese provocativa, porém fecunda, na medida que obriga a precisar melhor a real inserção do Serviço Social na divisão social e técnica do trabalho.

Neste artigo pretendemos discutir o argumento central de Lessa, para quem a nossa profissão não seria trabalho porque não transforma a natureza.[3]

Porque o Serviço Social não seria trabalho?

Lessa afirmaque este debate surgiu nas discussões acerca da formulação das novas diretrizes curriculares dos cursos de graduação, representando um avanço teórico para a categoria profissional, um amadurecimento e uma mudança na relação desta com as Ciências Humanas. O Serviço Social teria desta forma saído da relação de subalternidade histórica travada com as Ciências Humanas. (LESSA, 2000, P. 37)

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