Artigo sobre santo agostinho

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  • Publicado : 26 de fevereiro de 2013
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Após ter verificado a etimologia dos conceitos, a saber: estultícia, nequícia e indigência, esses dispostos em reciprocidade, bem como o oposto a esses, a saber: a frugalidade. Com efeito, Agostinho impõe com tal análise a passagem para um campo moral e lógico visto a associação de indigência ao não ser.
Essa conduta é percebida no diálogo a partir do contrário de indigência, sugerida nomomento como riqueza, pois oposto à pobreza. Para não incorrer nos erros semânticos, Agostinho percebe que a riqueza como único vocábulo não fará frente a abundância de termos, a saber: pobreza e indigência. Diante do impasse, Licêncio sugere plenitude e Agostinho sugere opulência, mas começará a analise pela sugestão primeira.
A oposição entre plenitude e indigência, estabelece ante aos mesmosparâmetros que ser e não ser e também nequícia e frugalidade, logo pode-se afirmar que sabedoria é plenitude , por consequência assim como frugalidade é a plenitude da alma e retomando sua sugestão, agostinho conclui que essa também é opulência das virtudes. Essa analise se sustenta nas discussões etimológicas desses termos ocorridas no início do terceiro dia, o que conduz também a etimologia dasvirtudes, a saber: mediação e temperança, estabelecidas como medida certa, sem excessos e sem faltas: “A palavra "modéstia" é oriunda de modus (medida), e temperança de temperies (proporção). Onde há medida e proporção não existe nem a mais nem a menos do necessário. ”(cap VI-32).Na analise do termo opulência Agostinho revela que:

(...) o termo "opulência" vem de ops (ajuda). O excesso, porém, comopoderia ajudar-nos, quando muitas vezes ele vem nos embaraçar mais do que o faz a penúria? Portanto, o que há em excesso ou em insuficiência existe falta de medida e risco de indigência. Logo, a sabedoria é a medida da alma, pois ela é, evidentemente, o contrário da estultícia. Ora, a estultícia é indigência, e esta tem como contrário a plenitude. Logo, a sabedoria é plenitude, e a plenitude implicaa medida. Portanto, a medida da alma encontra-se na sabedoria. Donde o famoso aforismo que obteve justificada glória, por ser de máxima utilidade para a vida:
Nada haja em demasia.

Com efeito, ante essa analise a alma desmedida tanto em excesso ou falta, passa a ser descrita como indigente, pois indigente é aquele que não tem essa medida e sua alma: “(...) atira-se em excesso na direção dosprazeres, da ambição, do orgulho e de todas as outras paixões do mesmo género.” Assim, os intemperantes (Cap. IV-33):
(...)imaginam alcançar alegria e poder” e “encontram-se, na verdade, diminuídos pelas baixezas, pelo medo, tristeza, cupidez e outras paixões. Sejam quem forem, esses infelizes reconhecem eles próprios que tais coisas fazem a infelicidade do homem.

Com efeito, quem encontra asabedoria é aquele que (Cap. IV-33):
(...)sem se deixar seduzir por coisas vãs, sem se voltar mais para as aparências enganosas, cujo peso arrasta e submerge em profunda objeção, tudo se desfaz, por estar ele abraçado a seu Deus (arnplexus a Deo suo).

Logo, o sábio (Cap. IV-33):“não teme mais a imoderação, nem carência alguma, e, por conseguinte, nenhuma infelicidade.” Com efeito, possuir ajusta medida é possuir sabedoria. Nesse momento a investigação agostiniana “realiza cruzamento entre os conceitos mobilizados, e isso graças à reciprocidade estabelecida entre física, lógica e moral”. (Gunella.2012-pg87) sendo necessário análise mais detalhada, visto que deverá aplicar uma ampliação do seu sentido lógico(sabedoria) para o antológico(físico) e moral. Essa ampliação deriva quandosabedoria é (Gunella.2012-pg87):
(...)definida como “medida da alma” (modus animi), e isso porque “sabedoria” é justamente o contrário de “estultícia”. Ora, se a “estultícia” é “indigência”, ela é “indigência”,“carência”, de “sabedoria”. Assim, quem possui “sabedoria” possui “plenitude”, e como “plenitude” é aquilo que não existe nem em excesso, nem em falta, quem possui “sabedoria”, possui...
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