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4. Plano Diretor Físico para Hospitais
Na literatura em geral é interessante notar a ausência e/ou a
superficialidade com que é tratada a fase de planejamento e de elaboração de um plano
diretor, sobretudo quando da discussão sobre métodos de projeto, mesmo ao se
considerar que o processo de projeto engloba todas as fases de um empreendimento,
inclusive o estudo de viabilidade e oplanejamento, como cita Fabrício (2002). Isto pode
ser visto na Figura 12, apresentada pelo autor como uma forma generalizada das
diversas etapas que compõem o processo de projeto, de acordo com as principais
pesquisas da área.
A princípio, poder-se-ia dizer que o plano diretor estaria inserido na
primeira fase a de ‘Concepção do negócio e desenvolvimento do programa’, porém,
segundoalguns autores citados por Silva (2006), como Gobin, Jouini e Midler, nessa
fase “o empreendedor se propõe a promover um novo produto partindo de sua
experiência e da demanda verificada no mercado para desenvolver um programa”. É a
etapa de “concepção do negócio”, através da formulação do programa de necessidades
que só então será entregue ao arquiteto para “gerar o projeto de produto doedifício”. Ana Carolina Potier Mendes
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Plano diretor físico hospitalar:
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FIGURA 12 – Principais serviços e atividades do processo de projeto
de empreendimentos de edificações.
Adaptado de: FABRÍCIO, 2002. Ana Carolina Potier Mendes
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Observa-se certa discordância quanto à participação do arquiteto no
processo de projeto pois, se o processo consiste em todas as fases do empreendimento
inclusive a fase de planejamento onde estaria inserido o plano diretor, não seria correto
este profissional ser excluído da etapa de ‘Concepção do negócio e desenvolvimento do
programa’, conforme mostra a explicação dosautores citados anteriormente e também
a pesquisa de Silva (2006).
Nessa pesquisa, realizada com três escritórios cariocas para avaliar o
processo de projeto de edificações hospitalares, tal situação é confirmada já que se
constatou que são raros os casos de participação do arquiteto na fase de concepção do
empreendimento. Isto porque o número de contratação dos escritórios na faseinicial do
processo é reduzido, ficando para os empreendedores ou contratantes a
responsabilidade de execução dos programas do empreendimento.
Delrue (1979) observa que nos países em desenvolvimento não há
instruções detalhadas e nem um processo de informação disponível para arquitetos e
planejadores, interessados na programação de estabelecimentos de saúde cuja tarefa é
desempenhada porplanejadores médicos que estão separados administrativamente
dos planejadores das instalações físicas. Em razão de ser necessário pensar primeiro
em um plano, este modelo apresenta os seguintes pontos negativos:
• Ao preparar um plano, o planejador médico tem que tomar decisões quase
arquitetônicas, como dimensões ótimas etc., sem contar com um apoio
arquitetônico especializado;
• Aointerpretar um plano, o projetista tem que fazer suposições quase médicas,
quando não há o respaldo de um assessoramento médico;
• Nem os planejadores nem os projetistas dispõem de publicações sobre
planejamento e projeto de estabelecimentos assistenciais de saúde que os
auxiliem;
• Não se promove o desenvolvimento do conhecimento e de experiências
relativos ao planejamento deedifícios de saúde. Ana Carolina Potier Mendes
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É por isso que Bross (2006a; 2006b) enfatiza que o edifício hospitalar não
se inicia a partir de um programa físico-funcional, mas da definição de uma estratégia
do empreendimento cuja participação do arquiteto é fundamental, já que os maiores...
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