Artigo crise mundial

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  • Publicado : 25 de março de 2012
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Crise mundial

Os impactos da atual crise econômica mundial – difundida a partir da crise dos mercados imobiliário e financeiro dos EUA – sobre a economia brasileira têm duas portas de entrada interligadas. A primeira é o mercado financeiro, em razão da desregulamentação da conta de capital do balanço de pagamentos do Brasil, que concede uma grande liberdade aos fluxos de capitais, para acompra e venda de ações, de títulos da dívida pública e de outros papéis.

Nesta porta, os impactos têm sido imediatos e severos: queda da bolsa de valores, subida do risco Brasil e desvalorização do câmbio; em razão da venda de papéis brasileiros (ações, títulos públicos e outros papéis de empresas) pelos fundos de investimentos, com o objetivo de compensar as perdas nos mercados americano eeuropeu, bem como em busca de uma maior segurança nos títulos do governo dos EUA. Adicionalmente, a redução da liquidez nos mercados financeiros internacionais vem implicando aumento do custo do financiamento externo para as empresas brasileiras, além de diminuição do crédito na economia brasileira (para exportadores, agricultura, bancos menores e consumo de bens duráveis). Para agravar ainda mais asituação, empresas exportadoras vêm tendo elevados prejuízos no mercado de câmbio, em operações com derivativos.

Com a transformação da crise financeira em crise econômica geral, especialmente na ausência de controle dos fluxos de capitais, a fuga de capitais tende a se acentuar, em que pese o acúmulo de reservas da ordem de US$ 200 bilhões – o que implicou, até o ano passado, a reduçãoconjuntural da vulnerabilidade externa do país. No entanto, a motivação dessa fuga não dependerá, principalmente, dos chamados “fundamentos da economia”: controle da inflação e trajetória da dívida pública, entre outros. A razão maior se situará, como das outras vezes, na própria dinâmica da especulação financeira, isto é, a crescente aversão ao risco levará à busca por maior segurança através da aquisiçãode títulos do governo americano.

Essa nova realidade tem levado à desmoralização do discurso liberal em todo o mundo, com o Estado aparecendo, mais uma vez, como é comum nos momentos de crise do capitalismo, como o “salvador da pátria”. Mesmo assim, não há a menor segurança de que o pacote de US$ 850 bilhões (6% do PIB dos EUA) para compra de ativos podres em mãos das instituições financeirasprivadas, que foi recentemente aprovado com dificuldades pelo Congresso dos EUA, resolva, no curto prazo, a crise financeira. Além disso, é certo que também não impedirá a difusão e o aprofundamento da crise para a esfera produtiva e os demais países do mundo. E isto se deve, sobretudo, à amplitude e profundidade da desregulação e liberalização dos mercados financeiros ocorridas nos últimostrinta anos, mas também ao atraso do Banco Central dos EUA em intervir mais prontamente e com instrumentos adequados – pois julgava, inicialmente, que a crise era de liquidez e não, como se evidencia agora, de solvência.

No Brasil, o agravamento da crise obrigou o governo a mudar o discurso da “blindagem” ou do “descolamento” da economia brasileira em relação aos EUA, levando o Banco Central doBrasil a adotar as seguintes medidas: 1- leilões para venda de dólares com cláusula de recompra, vendas de dólares das reservas e vendas de dólares no mercado futuro; 2- reduções sucessivas dos depósitos compulsórios e 3- edição de uma medida provisória que possibilita ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal comprarem instituições financeiras privadas e tornarem-se sócios de empresasconstrutoras. Por outro lado, a estratégia de elevação da taxa de juros – num momento de clara tendência de desaceleração da atividade econômica –, já é questionada no interior do próprio governo. No entanto, essa não vai ser uma escolha trivial; numa economia sem controle dos fluxos de capitais, a elevação da taxa de juros também é utilizada com o objetivo de tentar impedir a fuga de capitais nos...
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