Artigo cientifico assentamentos

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Scopinho, R.A. “Sobre cooperação e cooperativas em assentamentos rurais”

SOBRE COOPERAÇÃO E COOPERATIVAS EM ASSENTAMENTOS RURAIS
Rosemeire Aparecida Scopinho Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, Brasil RESUMO: O artigo trata do significado da cooperação e do cooperativismo no processo organizativo de assentamentos rurais no estado de São Paulo. Compreendendo cooperação ecooperativismo como processos sociais distintos, discuto os motivos do movimento de institucionalização de cooperativas na sua relação com o declínio das formas de cooperação tradicionalmente desenvolvidas no mundo rural brasileiro. Analiso o significado da cooperação e os problemas decorrentes da sua institucionalização no interior dos assentamentos rurais organizados pelo Movimento dos TrabalhadoresRurais Sem Terra (MST), procurando identificar os elementos que indicam mudanças e permanências em relação ao tradicional cooperativismo rural. Procuro refletir sobre os motivos da atual tendência existente entre os assentados para refutar a cooperativa como modelo organizacional, mas valorizar a cooperação como modo de organização da vida econômica e societária. PALAVRAS-CHAVE: Cooperação;cooperativismo; assentamentos rurais. ABOUT COOPERATION AND COOPERATIVISM IN RURAL SETTLEMENTS ABSTRACT: This article deals with the meaning of cooperation and cooperativism in the organizational process of rural settlements in the state of São Paulo considering cooperation and cooperativism as distinct social processes. I discuss the motive why the movement headed for cooperative institutionalization inrelation to the decline of the traditional ways of cooperation developed in the Brazilian rural world. The meaning of cooperation was studied as well as subsequent problems due to its institutionalization within the rural settlements organized by MST – Landless Workers Movement, trying to identify the elements that show change and permanence related to traditional rural cooperativism. I seek toreflect upon the motives of the current trend among settlers to reject the cooperative as an organizational model, despite the fact they appraise cooperation as a way to organize their social and economic life. KEYWORDS: cooperation, cooperativism, rural settlement. Diante da busca de alternativas para a crise de emprego, a problemática da organização e gestão de assentamentos rurais com base noassociativismo tem sido objeto de investimento das políticas públicas e, sobretudo, campo de disputa de projetos de desenvolvimento econômico-social (Leite, Heredia, Medeiros, Palmeira & Cintrao, 2004; Ministério do Desenvolvimento Agrário, 2000). Ao estudar as relações de trabalho e as contradições do processo organizativo em um assentamento organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST), localizado na região de Ribeirão Preto-SP, depareime com um complexo e contraditório universo de sentidos atribuídos pelos assentados à cooperação e às cooperativas (Scopinho et al, 2005). No âmbito das relações de trabalho, a cooperação significa, por um lado, a ampliação da capacidade de sobrevivência econômica através da obtenção de renda monetária, direta e/ou indireta, maior (gerada,principalmente, pelo aumento da produtividade do trabalho e da redução dos custos de produção); o aprendizado de formas solidárias e agroecológicas de trabalhar a terra; a possibilidade de melhorar a infra-estrutura produtiva, entre outras vantagens. Por outro lado, o trabalho cooperado explicita ainda mais a diversidade sócio-cultural
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e a heterogeneidade dos projetos de trabalho e de vidaexistentes, as divergências e a predominância dos valores individualistas e, na prática, não elimina as desigualdades e as relações de subordinação típicas do trabalho heterogerido. Contudo, fora do trabalho, no cotidiano das famílias, a cooperação espontânea dá continuidade ao movimento político de luta pela melhoria das condições de vida, amplia e dinamiza as formas e as redes de convivência...
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