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XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006
Comparação entre modos de gestão nas diferentes estruturas
organizacionais da construção civil
António Nunes de Miranda Filho (FEUP) anmirandaf@yahoo.com.br
Jorge Moreira da Costa (FEUP) jmfcosta@fe.up.pt
Luíz Fernando Mählmann Heineck (UFSC) freitas8@terra.com.br
Eduardo Luis Isatto (UFRGS) isatto@vortex.ufrgs.brResumo
As pesquisas apontam a existência de três modos genéricos de lidar com as incertezas:
controle, flexibilidade e folgas. São estes modos que garantem a robustez organizacional e
permitem a gestão proativa e reativa frente aos eventos que ocorrem durante o projeto.
Tradicionalmente, a gestão de obras tem sido fortemente baseada no exercício do controle
combinado ao uso de folgas.Contudo, o crescente reconhecimento da complexidade dos
projetos tem quebrado paradigmas e gerado mudanças estruturais fundamentadas em
estratégias de flexibilidade. Uma destas estratégias baseia-se na formação de estruturas
organizacionais achatadas caracterizadas pela autonomação e descentralização, cuja face
mais visível é a implantação de equipes multifuncionais trabalhando segundo oconceito de
célula de produção. Neste artigo são analisadas as mudanças na estrutura organizacional e
na tomada de decisão dos gestores decorrentes da implementação desta estratégia. Para
efeitos comparativos, o estudo foi realizado através de entrevistas em cinco empresas
construtoras que adotam diferentes estruturas. Os resultados mostram que a implantação
bem sucedida da estratégia deflexibilidade requer mudanças nos mecanismos de controle do
nível operacional e nas decisões sobre uso de folgas do nível tático.
Palavras-chave: Estrutura organizacional, Robustez, Células de produção.
1. Introdução
A Indústria da Construção Civil está a passar por uma mudança de paradigmas, cujo
progresso já está adiantado noutros setores industriais. Por trás da mudança está acrescente
concientização da incapacidade dos gestores das obras em planejar e controlar todas as
variáveis associadas à complexidade dos projetos (empreendimentos) de construção. Assim, o
foco tem sido desviado da gestão como planejamento para gestão como organização. Isto
significa que a gestão deixa de ser a criação e implementação de planos para tornar-se tanto
na definição das condições decontorno e na provisão dos meios (Heineck, 2005) como
também na criação de estruturas e culturas organizacionais coerentes (Howell et al., 2004).
No que se refere ao aspecto da estrutura organizacional, tem havido um rompimento na
maneira hierárquica de dividir funções por contratos, utilizar estreitos canais de comunicação
e sub otimizar cada serviço em benefício próprio. SegundoMonostori et al (1998), a
problemática da gestão da complexidade e da variabilidade fez crescer nas organizações a
importância da concentração nas habilidades principais, da descentralização das funções e da
exploração da criatividade, experiência e competência dos colaboradores.
O principal vetor desta mudança tem sido o reconhecimento da mão-de-obra como um tipo
especial de recurso deprodução capaz de contribuir não apenas com a força do trabalho, mas
também com ideias, comprometimento e responsabilidade na execução das tarefas. Buch e
Sander (2005) acrescentam que o novo papel das equipes caracterizado pela autonomação e
cooperação também deve vir acompanhado de mudanças na forma de gestão exercida nas XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006
obras.Como os gestores das obras são o elo de ligação entre as diretrizes do alto escalão e os
trabalhadores, o estilo controlador deve ser substituído por um estilo baseado na provisão de
recursos e informações e no apoio às decisões das equipes. Segundo Zuo e Zillante (2005), a
importância disso deve-se ao fato do estilo de liderança e estrutura organizacional adotados
refletirem na cultura...
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