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Jorge Macchi participou do Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2003, da Bienal de São Paulo em 2004 e realizou uma exposição individual na Galeria Luisa Strina, São Paulo, em 2004.
Macchi trabalha com a noção de informação, fazendo seus trabalhos a partir de jornais e mapas de cidades, de metrô.Em "The Speaker's Corner" (2002), por exemplo, o artista selecionoualguns textos de jornais dos quais extraiu palavras, deixando apenas os sinais de pontuação.No trabalho "Caja de musica" (2004), usa um farol de trânsito e sua condução dos fluxos da cidade.
O artista se interessa por temas que ultrapassam o campo das artes visuais, tendo se aproximado da escrita e d música. "Buenos Aires Tour" (2003) contou com a participação de Edgardo Rudnitzky, que realizoupaisagens sonoras em Buenos Aires e outro trabalho seu, "Música incidental" (1997), traz uma partitura composta por textos recortados de jornal.
Dentre as inúmeras participações em exposições destacam-se "Trebble", Sculpture Center em Nova York (2004), Bienal de Istambul (2002), "12 views', The Drawing Center, Nova York (2001) e as individuais no Centre Regional d'Art Contemporain, na França(2001), Galeria Distrito4, em Madrid (2003) e Galeria Ruth Benzacar, Buenos Aires (2003).
A obra de Jorge Macchi respira no hiato que separa um acontecimento de seu impacto. Cada componente visual se transforma, nas mãos do artista argentino, em nota musical das ausências que preenchem cada instante da vida. São tons que condicionam a existência, para explodir por azar ou por acaso em momentossublimes, condenados ao esquecimento pela música sangrenta das ruas.
O minimalismo a partir de recortes de jornal ou partituras, constantes na obra de Macchi, dão a impressão de um adensamento formal das atrocidades do mundo, como se a existência pudesse ser resumida a um simples esquema de notas e intervalos em branco. Mas o silêncio de Macchi é sonoro, efusivo ao estampar em paredes, com margensfugazes ou esquemas anônimos, a trajetória do esquecimento. Adolescente quando a Argentina se erguia após anos de ditadura, o coro dos gritos de 30 mil desaparecidos durante o regime pautou a pesquisa formal de Jorge Macchi.
Embora ancorado na tradição conceitual dos concretistas brasileiros, uma vontade de poesia e um temperamento literário dão rumos mais incertos à obra de Macchi. Cada trabalhoparece dotado de uma latência intolerável, mas que se manifesta sob o marasmo de um vestígio, uma referência a algo que sobrou, a algo que está por vir ou a algo congelado no tempo, uma música sem melodia. Tudo em Macchi tem o ar de um grande acontecimento, cujo momento retratado nem sempre é o instante decisivo da narrativa. Às vezes o que o artista mostra não passa de um espasmo precipitado, aalgazarra de uma tempestade que veio na hora errada para uns e certa para outros.
Em Un charco de sangre, de 2001, recortes de notícias de jornal, trechos de faits divers escolhidos por conter a frase "un charco de sangre" são dispostos numa parede branca, traçando as linhas que o sangue da vítima teria desenhado em azulejos de um banheiro ou no asfalto imundo em tarde de sol. É um momento únicorepresentado sem cores, na arritmia de uma ação precipitada. Onde se lê "un charco de sangre", as linhas são um ponto. É o momento dramático de uma sucessão de fatos, diagrama concreto de um espaço brevíssimo no tempo.
Mas ninguém se espanta com a morte alheia. Tudo entra por um ouvido e sai pelo outro, roçando engrenagens na cabeça de quem encara a aventura cotidiana das páginas policiais. O azar eo gosto de sangue na boca são condicionantes mundanos da existência e juntos dão forma à partitura invisível de uma música incidental.
Quando residente no Delfina Studio Trust, em Londres, o artista se dedicava ao consumo religioso do noticiário popular. As notas de catástrofes, dispostas nas paredes e intercaladas pelo silêncio de vazios brancos, deram origem a uma composição para piano, que...
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