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1 O MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO (1930 [1929]) NOTA DO EDITOR INGLÊS DAS UNBEHAGEN IN DER KULTUR (a) EDIÇÕES ALEMÃS: 1930 Viena: Internationaler Psychoanalytischer Verlag, 136 págs. 1931 2ª ed. (Reimpressão da 1ª ed., com alguns acréscimos.) 1934 G.S., 12, 29-114. 1948 G.W., 14, 421-506. (b) TRADUÇÃO INGLESA: Civilization and its Discontents 1930 Londres: Hogarth Press e Institute of Psycho-Analysis.Nova Iorque: Cape and Smith, 144 págs. (Trad. de Joan Riviere.) A atual tradução baseia-se na publicada em 1930. O primeiro capítulo do original alemão foi publicado pouco antes do resto do livro, em Psychoanal. Bewegung,1 (4) novembro-dezembro de 1929. O quinto capítulo apareceu separadamente no número seguinte do mesmo periódico, 2 (1), janeiro-fevereiro de 1930. Duas ou três notas de rodapé amais foram incluídas na edição de 1931 e uma frase final foi acrescentada à obra. Nenhum desses acréscimos apareceram na primeira versão da tradução inglesa. Freud terminara O Futuro de uma Ilusão no outono de 1927. Durante os dois anos seguintes, principalmente, sem dúvida, por causa de sua doença, produziu muito pouco. No verão de 1929, porém, começou a escrever outro livro, mais uma vez sobreum assunto sociológico. O primeiro esboço foi terminado por volta de fins de julho; o livro foi enviado à gráfica no começo de novembro e realmente publicado antes do fim do ano, embora trouxesse a data de ‘1930’ em sua página de rosto (Jones, 1957, 157-8). O título original para ele escolhido por Freud foi ‘Das Unglück in der Kultur’ (‘A Infelicidade na Civilização’), mas ‘Unglück’ foiposteriormente alterado para ‘Unbehagen’, palavra para a qual foi difícil escolher um equivalente inglês, embora o francês ‘malaise‘ pudesse ter servido. Numa carta à sua tradutora, a Sra. Riviere, Freud sugeriu‘O Desconforto do Homem na Civilização’, mas foi ela própria que descobriu a solução ideal para a dificuldade no título finalmente adotado. O tema principal do livro — o antagonismo irremediável entreas exigências do instinto e as restrições da civilização — pode ter sua origem remontada a alguns dos mais antigos trabalhos psicológicos de Freud. Assim, em 31 de maio de 1897, escreveu a Fliess que ‘o incesto é anti-social e a civilização consiste numa progressiva renúncia a ele’ (Freud, 1950a, Rascunho N), e, um ano depois, no artigo ‘Sexuality in the Aetiology of the Neuroses’ (1898a),escreveu que ‘podemos com justiça responsabilizar nossa civilização pela disseminação da neurastenia’. Não obstante, em seus primeiros trabalhos, Freud não parece ter considerado a repressão como sendo inteiramente devida a influências sociais externas. Embora em seus Três Ensaios (1905d), fale da ‘relação inversa que existe entre a civilização e o livre desenvolvimento da sexualidade’ (Edição StandardBrasileira, Vol. VII, pág. 250, IMAGO Editora, 1972), em outra passagem da mesma obra, fez o seguinte comentário sobre as barreiras opostas ao instinto sexual surgidas durante o período de

2 latência: ‘Tem-se das crianças civilizadas uma impressão de que a construção dessas barreiras é um produto da educação, e sem dúvida, a educação muito tem a ver com ela. Mas, na realidade, estedesenvolvimento é organicamente determinado e fixado pela hereditariedade, e pode ocasionalmente ocorrer sem qualquer auxílio da educação.’ (Ibid., pág. 157.) A noção de haver uma ‘repressão orgânica’ que prepara o caminho para a civilização — noção expandida nas duas longas notas de rodapé ao início e ao final do Capítulo IV (pág. 77 e seg. e 57 e segs., adiante) — remonta ao mesmo período anterior. Numacarta a Fliess, em 14 de novembro de 1897, Freud escreveu que freqüentemente suspeitou ‘que algo orgânico desempenhou um papel na repressão’ (Freud, 1950a, Carta 75). Prossegue, no mesmo sentido daquelas notas de rodapé, sugerindo a importância, como fatores de repressão, da adoção de uma postura ereta e da substituição do olfato pela vista como sentido dominante. Uma alusão ainda mais precoce à...
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