Arte

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Teixeira Coelho Netto, introdução à teoria da informação estética, p.9-16

A informação estética, ao contrário da informação semântica, não é necessariamente lógica. Ela pode ou não ter uma lógica semelhante à do senso comum ou da ciência, Ela também não precisa ter ampla circulação, isto e, não há necessidade de que um público numeroso tenha acesso a ela. A informação estética continua aexistir mesmo dentro de um sistema de comunicação restrito, até interpessoal, ou mesmo quando não há nenhum receptor apto a recebê-la. Sabemos que isso aconteceu inúmeras vezes. Por exemplo, a informação estética contida numa tela de Van Gogh permaneceu lá, embora em sua época ninguém pudesse entendê-la. Outra característica da informação estética que a diferencia da informação semântica é o fato denão ser traduzível em outras linguagens. Quando dizemos "O tempo hoje está ruim", podemos traduzir a informação semântica contida nessa frase para qualquer outra língua, sem perda da informação original. Quando vemos, no entanto, num filme, uma cena com tempo ruim, vemos a qualidade da cor, a força do vento, da chuva ou da neve, a vegetação, os ruídos ou o silêncio, a névoa, a qualidade da luz einúmeros outros detalhes que nos são mostrados pelas câmeras e que nos causam um determinado sentimento. Essa informação estética não pode ser traduzida nem para a linguagem verbal nem para qualquer outra sem ser mutilada, isto é, sem perder parte de sua significação. A informação estética apresenta, ainda, um outro aspecto distintivo, que é o fato de não ser esgotável numa única leitura. Por exemplo,a informação sobre o tempo ruim só me conta algo de novo na primeira vez em que for dada. Ela se esgota. A informação estética contida em uma obra de arte, no entanto, pode ser lida de várias maneiras por pessoas diferentes o u por uma mesma pessoa. Na primeira vez que lemos um Livro ou ouvimos uma música, recebemos uma certa quantidade de informações; numa segunda leitura ou audição, podemosreceber outras informações; anos mais tarde, ainda outras. Essa característica de inesgotabilidade permite que as obras de arte não envelheçam nem se tornem ultrapassadas. A obra de arte é aberta, no sentido de que ela própria instaura um universo bastante amplo de significações que vão sendo captadas, dependendo da disponibilidade dos receptores.


TRADUZIR-SE


Ferreira Gullar




Umaparte de mim é todo mundo:
Outra parte é ninguém:
Fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão:
Outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera:
Outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta:
Outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente:
Outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem:
Outra parte,
Linguagem.
Traduzir uma parte
Na outraparte – que é uma questão
De vida ou morte – será arte?
O que diz a obra de arte?

Não faz muito tempo, li num jovem crítico que a pintura é o meio menos apropriado para se dizer alguma coisa. Ele criticava um pintor, jovem também, que tomara como tema de seus quadros figuras e fatos da vida política brasileira. Quer dizer, o crítico argumentava contra a adoção pelo pintor de uma temáticanão–pictórica ou extrapictórica, não sei como ele a definiria. É um ponto de vista e, como não conheço os quadros do referido pintor, não posso dizer se, no caso particular, o crítico tinha ou não razão. Mas o princípio geral sobre que baseava a sua crítica me parece discutível. Se a arte é o meio menos apropriado para dizer alguma coisa, isso significa que a arte não diz nada? É uma tese inaceitável. Masnão vamos nos valer de uma formulação possivelmente infeliz para atribuir ao critico o que ele talvez não tenha querido dizer. E não se trata aqui de armar uma discussão pessoal. O que importa é a concepção implícita na tese. Admitamos que seu propósito foi apenas afirmar que a arte não pode cingir-se a uma temática explícita, e essa é uma questão que volta à baila. Não resta dúvida que o...
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