Arte

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Trecho do livro: O QUE É PÓS-MODERNO – Col. Primeiros Passos
Autor: JAIR FERREIRA DOS SANTOS

A arte moderna, iniciada com os movimentos e manifestos futuristas no começo deste século, e um não ao passado, uma revolta ante o convencionalismo na arte. Contra regras antigas e castradoras, o novo em liberdade de experimentação. Era preciso destruir a estética tradicional (estética é o conjuntode normas e valores segundo os quais, numa dada época, o artista deve criar e o crítico julgar). Essa estética tradicional impunha a Representação realista da realidade. Para ela, que dura do Renascimento até fins do século XIX, a arte devia ser uma ilusão perfeita do real.
    As vanguardas modernistas __ futurismo, cubismo, expressionismo __ significarão a quebra do universo racional fornecidopela ciência e refletido pela estética por muito tempo. Nesse universo, a Representação realista (imitativa, ilusionista) supunha que a literatura ou a pintura espelhavam ponto por ponto o real. Mas a sociedade industrial, com o automóvel, o avião, a eletricidade, os conflitos sociais, a descoberta do inconsciente, iria colocá-la em xeque.
    O modernismo é a Crise da Representação realista domundo e do sujeito na arte. A estética tradicional fracassa ao captar um mundo cada vez mais confuso e um indivíduo cada vez mais fragmentado. Novas linguagens deveriam surgir para que um sujeito caótico pudesse não representar, mas interpretar  livremente a realidade, segundo sua visão particular. Para isso, a nova estética modernista cavou um fosso entre arte e realidade. A arte fica autônoma,liberta-se da representação das coisas (a fotografia já o fazia muito melhor), decretando o fim da figuração, usando a deformação, a fragmentação, a abstração, o grotesco, a assimetria, a incongruência.
    Linguagem nova quer dizer forma nova, não imitativa. Nascem aí o formalismo  e o hermetismo  da arte moderna, que é um jogo com formas inventadas. Pois ela não fala de um mundo exterior aoquadro, à escultura. Deformando ou banindo o referente (o real), ela cria formas novas e torna-se por isso auto-referencializada. Ela é seu próprio assunto: linhas, cores, volumes, composição. Basta comparar Da Vinci com Picasso. Reconheceríamos na rua a Mona Lisa, mas jamais encontraríamos fora da tela as cubistas Senhoritas d'Avignon, feitas em losangos, que abrem a pintura moderna em 1907.
   Vanguarda quer dizer: militar à frente. De fato, os modernos não só estavam à frente como estavam contra o público burguês, conformista. Eram boêmios, bizarros, críticos. Queriam o escândalo. Criaram uma grande tensão entre a arte e o público. Levaram ao absoluto suas emoções, suas visões subjetivas e declararam-se anjos condutores da humanidade, a arte sendo um conhecimento superior da existência.    É neste clima que, na pintura, os expressionistas explodem seus sentimentos em borrões, os surrealistas dão vida ao sonho com humor ou terror. Na poesia, Eliot, Pound, Mário de Andrade quebram a sintaxe, usam imagens irracionais, soltam as palavras em liberdade. No romance, Joyce, Kafka e Proust descem às camadas mais profundas da mente para desvendar segredos e dissolver o tempo, opersonagem e o enredo realistas. Na música, em 1910, Schoenberg e Stravinski injetam harmonias dissonantes, à primeira audição desagradáveis. É uma arte irracional, emotiva, humanista. Um caso à parte: na arquitetura, a Bauhaus, escola alemã fundada por Gropius em 1919, fará triunfar a racionalidade funcional  contra o ornamento clássico, e assim projetar com ferro, concreto, vidro e ângulo retoas megalópoles atuais.
 
O alegre desbundar
Em meados dos anos 50, a revolta modernista tinha esgotado seu impulso criador. A sociedade industrial incorporara no design, na moda, nas artes gráficas não só a estética como o culto do novo pregado pelas vanguardas. Revistas e luminárias usavam a assimetria, desenhos abstratos decoravam papéis de parede. A interpretação individual, o hermetismo,...
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