Arte egipcia

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  • Publicado : 23 de janeiro de 2012
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A arte egípcia não se resume à construção das imponentes pirâmides nem acaba na famosa esfinge de Gizé. Há perto de cinco mil anos existiu uma civilização de artistas, escultores, ceramistas e joalheiros, cuja obra perdura até aos nossos dias. Em Paris, é agora possível fazer uma viagem a esse passado
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Texto das pirâmides, pigmento verde sobre calcário, pertencente ao Museu de BruxelasPELA primeira vez na História, uma exposição global - «A Arte Egípcia no Tempo das Pirâmides» (Grand Palais, em Paris, de 9 de Março a 12 de Julho) - demonstra que os egípcios do Antigo Império (de 2700 a 2200 a.C.) não se limitaram à construção das três colossais pirâmides e da grandiosa esfinge de Gizé, que se elevam nos arredores do Cairo.
Há perto de cinco mil anos, eles já dominavam a arteda escultura e da pintura, atingindo uma perfeição extraordinária. «O Antigo Império foi a idade de ouro da civilização egípcia», disse ao EXPRESSO a comissária da exposição, Christiane Ziegler, conservadora do departamento egípcio do Museu do Louvre.
A fascinante viagem ao passado que as galerias nacionais do Grand Palais nos propõem surpreende sobretudo pela espantosa qualidade das esculturas,pinturas e objectos expostos. Nas origens da nossa civilização, existiam escultores, pintores, ceramistas e joalheiros que trabalhavam com extremo requinte a pedra, a madeira, o calcário, o alabastro, o cobre e o ouro, conseguindo realçar, por exemplo, as variações subtis da representação do corpo humano, o sentido da composição ou a arte da cor.
Neste sentido, esta exposição - que a partir deSetembro poderá ser vista em Nova Iorque e, depois de Janeiro do ano 2000, em Toronto - é sobretudo uma maravilhosa e «verdadeira» exposição de Arte.
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«A rainha Ânkhenés Méryrê II e o seu filho, Pépi II», estátua de alabastro do Museu de Brooklyn

A primeira surpresa da excepcional mostra é que apresenta a vida no antigo Egipto como feliz e harmoniosa. Os nossos antepassados acreditavam navida eterna depois da morte, e o viático destinado a ser transportado para o Além é de uma vivacidade estonteante. A arte é funerária, mas é a representação da vida que vai acompanhar o faraó, ou a sua múmia, na «grande viagem» para o Além.
Nunca nenhuma outra civilização consagrou tamanha energia à construção de um reino para a morte. O egípcio do Antigo Império acreditava que tinha um destinosingular e possuía uma grande confiança em si próprio e nas suas crenças. Levava por isso para os túmulos cenas e objectos da sua vida quotidiana, estátuas enternecedoras que o representam por vezes em poses íntimas e felizes, como as de Iaib e Khouaout, ou de Micerino e a esposa, na quarta dinastia, nas quais a mulher protege o marido abraçando-o amorosamente pelos ombros ou pela cintura.
São duasestátuas, dois casais imperiais, que respiram humanidade. Por exemplo, o seio direito de Khouaout está quase colado ao braço esquerdo de Iaib. Mas é visto de trás que este último conjunto transmite uma ternura peculiar, através do braço direito da esposa, que acalma o marido… e quem observa a escultura.
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«Carniceiro a cortar um boi», escultura de calcário do Museu de Chicago

Contudo, aarte egípcia - na qual se deve incluir também a escrita - do terceiro milénio antes de Cristo não representava apenas os faraós ou casais (e famílias) de altos dignitários. Numa das diversas salas da exposição somos surpreendidos por pequenas estátuas de gente modesta «em movimento» que, apesar de continuarem a respeitar o princípio da «frontalidade» que caracteriza a escultura egípcia da época,são muito mais livres do que, por exemplo, as dos faraós.
Nesta sala vive-se uma emoção particular ao observar as atitudes complexas e realistas, os corpos bem proporcionados e as caras fortemente individualizadas de um carniceiro a cortar um boi, de um cozinheiro, de uma mulher de joelhos a moer o grão e a apoiar-se fortemente numa mó, ou ainda as representações de uma mulher com uma peneira,...
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