Arquitetura

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  • Publicado : 19 de outubro de 2012
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Em vários momentos e lugares tenho afirmado que, nos poucos casos em que arquitetura e arte se confundem, o projeto surge como uma atividade totalizadora que sintetiza na forma os requisitos do programa, as sugestões do lugar e a disciplina da construção.
Do mesmo modo, tenho chamado atenção para uma das contribuições fundamentais da arquitetura moderna ao pensamento projetual contemporâneo: osconceitos de economia, rigor, precisão e universalidade, de grande valia, ontem, hoje e sempre, como critérios de projeto e da sua verificação (1).
Poucas obras são tão adequadas para exemplificar essas duas afirmações quanto a Loja Forma, projetada por Paulo Mendes da Rocha há mais de duas décadas.
A julgar pelo material publicado, havia duas condições fundamentais no inicio do trabalho. Oprograma consistia na criação de um espaço para exposição e venda de móveis. E não qualquer tipo de móveis, mas coleções assinadas pelos principais arquitetos e designers do século 20. Além disso, o terreno apresentava como característica importante o fato de estar numa avenida predominantemente ocupada por estabelecimentos comerciais, com um tráfego intenso e rápido de veículos, o que eliminava apossibilidade de que os clientes estacionassem junto às calçadas, e diminuía consideravelmente a probabilidade de que chegassem à loja a pé.

Vista aérea [Google Maps]
Dois aspectos essenciais do projeto construído são absolutamente coerentes com um exame apurado do programa e do lugar em que o edifício se localiza. Por um lado, a forma prismática elementar, que dá ao edifício grande intensidadeformal e lhe confere destaque por contraste em meio ao caos visual que caracteriza a avenida Cidade Jardim. Um edifício mais elaborado formalmente se confundiria facilmente com os seus vizinhos, impedindo a sua identificação imediata.
Por outro lado, a decisão de criar uma única vitrine, elevada em relação à rua, garante visibilidade aos objetos à venda do ponto de vista habitual de quem passapela loja, quase invariavelmente dentro de um carro e trafegando à velocidade considerável.
O problema do estacionamento para clientes se resolveu dedicando todo o nível do solo a essa atividade (750 m2). Para que isso fosse possível, o piso da loja foi elevado. A eliminação de qualquer apoio intermediário acrescentou ainda mais facilidade ao ato de manobrar um automóvel sob o edifício. O fato deque a entrada da loja se dê por uma escada retrátil é mais um recurso para a liberação completa do térreo.
Tanto o desejo de contar com um pavimento térreo diáfano como o de criar uma longa vitrine sem nenhum apoio intermediário tiveram importantes consequências técnicas.
É neste momento em que começa a aparecer a maestria do arquiteto, pois forma e construção são resolvidas ao mesmo tempo,chegando a resultados de rara consistência. Ao contrário da maioria dos edifícios com que convivemos, aqui estrutura e forma se confundem a tal ponto que fica difícil definir qual é qual. Como em muitos outros casos na arquitetura de Paulo Mendes da Rocha, após a definição e/ou construção da estrutura resistente  pouco falta para completar o edifício.

Loja Forma, corte transversal. Arquiteto PauloMendes da Rocha [PIÑÓN, Helio. Paulo Mendes da Rocha]

Loja Forma, corte transversal. Arquiteto Paulo Mendes da Rocha [PIÑÓN, Helio. Paulo Mendes da Rocha]

Loja Forma, corte longitudinal. Arquiteto Paulo Mendes da Rocha [PIÑÓN, Helio. Paulo Mendes da Rocha]
Para vencer trinta metros de vão livre, são necessários vigas e pilares de tamanho considerável. O que é digno de menção é o fato de queembora essas vigas e pilares sejam enormes, não nos damos conta dessas dimensões, devido à sua integração com outros elementos do projeto. Duas vigas protendidas “duplo T” de concreto de aproximadamente um metro e meio de altura vencem o grande vão ao nível do piso da loja. Essa dimensão passa despercebida pelo fato de as duas vigas fazerem parte de um elemento maior que define, ao mesmo tempo, o...
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