Arquitectura e antropologia

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  • Publicado : 8 de julho de 2012
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O texto de LEAL, João, (2011) “O Vernáculo e o Híbrido: Concepções da Arquitectura Popular Portuguesa entre 1960 e 2000”, in Paulo Providência, Luís Quintais, Sandra Xavier (eds.), “Intersecções: Antropologia e Arquitectura”, Joelho (revista do Departamento de Arquitectura da UC), 2: 39-57, faz uma análise sobre as variadas concepções por que passou a expressão popular na arquitecturaportuguesa, acompanhando esta análise faz também um paralelo complementar sobre o mesmo termo na antropologia, porque cada vez mais a arquitectura se serve desta para se complementar.
No texto, anteriormente referido, o termo popular é introduzido pelo livro “Arquitectura Popular em Portugal”, no qual nunca «esse popular da arquitectura popular é sistematicamente definido» (LEAL 2011: 70) são feitasalgumas escolhas permitindo chegar a uma concepção do popular, - o que é ou não, o que inclui ou exclui, o que pertence e o que deixa por falar, o que não cataloga ou não dá importância- que organizou desta forma o inquérito. Esta criação implícita do popular dos arquitectos apresentava diversas semelhanças com o modo como era encarado o mesmo assunto pelos antropólogos, baseados em sociedades decamponeses nos finais do século XIX, porém, estas dever-se-iam já à existência de um senso comum, no final dos anos 50, “sobre que era o popular” (LEAL 2011: 71) . Apoiados nesta concepção o Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal deixou de parte o que impossibilitava uma boa leitura do conceito, opção esta admitida pelo arquitecto Silva Dias que segundo este ficaram de fora aquilo a que naaltura se “designava na altura como as “malfeitorias” . Nesta época, a hibridez do popular não era uma opção para os arquitectos, havia uma certa aversão a estas soluções como se elas não encaixassem nos cânones já definidos, assim surge uma 2ª geração de arquitectos, (LEAL 2011:74) com novos estudos relativamente ao que se entendia pela expressão, onde as fronteiras já são mais ténues, aproximando opopular do erudito, um bom exemplo presente no texto, (LEAL 2011: 72) é o estudo do Arquitecto Vieira Caldas, A Casa Rural dos Arredores de Lisboa no Século XVIII (Caldas 1999), o capítulo inicial trata a discussão do popular, criticando as Fronteiras demasiado rígidas Outro estudo abordado é o Inquérito à Arquitectura Popular nos Açores, a arquitectura nos açores funciona quase como uma rótula deviragem desta devido à intervenção dos emigrantes e as influências que trouxeram das suas culturas para as construções adquirindo um carácter mais hibrido. Na década de 80, a forma como se vê a arquitectura popular começa a mudar, especialmente no caso da casa do emigrante, (LEAL 2011: 77) uma das maiores influências, entre outras, é Nuno Portas que classifica a casa do emigrante como um “novovernáculo”.
Ao longo deste texto, o significado de popular, o que ele engloba e o que se agrega nele vai-se alterando, como vários outros significados e contextos se vão alterando ao longo dos tempos, por exemplo, o que entendemos por beleza actualmente é diferente do que entendíamos na época medieval, embora quando se fala em beleza se ligue a uma ideia geral semelhante, a concepção e osestereótipos de beleza alteraram-se, o que antes apenas englobava as curvas da mulher e a sua formosura agora acrescentou muitos outros parâmetros como o peso, as tipologias raciais, o estilo, entre outros, o conceito de beleza alterou-se com o tempo, com a difusão de mulheres ideais nos meios de comunicação, com uma evolução da moda e dos marcos que ela representa, com a ideias pré-concebidas de foramdistribuídas e difundidas ao longo dos tempos entre as pessoas. Tal como o conceito de popular se tornou abrangente devido aos arquitectos terem permitido uma concepção mais híbrida do popular na sua mente.
Em suma, todo um olhar sobre a arquitectura popular se transformou.
Mas realmente questionas o que levou a esta mudança, (LEAL 2011: 79) é algo sobre o qual nos devemos debruçar. Pois bem,...
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