Antropologia teológica cristã

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INSTITUTO FRANCISCANO TEOLÓGICO
Aluno: Frei Marcio Andrei Negherbon
Matéria: Antropologia Teológica Cristã


1) Qual a compreensão profética da criação? (UP pg. 117-118)

A criação é compreendida diretamente no contexto da fé histórico-salvífica em Iahweh. Deus é o único criador de tudo quanto existe e sua potência salvífica alcança Israel, mesmo na deplorável situação em que se encontrano exílio. Ele que venceu o caos primitivo pode muito bem derrotar o poder babilônico. Iahweh que criou Israel, libertando-o da escravidão do Egito é também o criador do mundo. Tanto a libertação da escravidão no Egito, quanto a libertação do exílio são possíveis porque Iahweh é o criador de tudo quanto existe.
A existência de Israel está em íntima com o apelo primitivo criador que dá origem atodas as coisas. Criação e salvação do homem não podem ser separadas, pois a criação é já ato salvífico de Iahweh.
O Dêutero-Isaías concede à criação realizada pelo dabar (palavra) de Iahweh. É a mesma palavra de Iahweh que unifica a criação do mundo e a história das suas intervenções salvíficas. O mundo criado não é anônimo nem é neutro. Na criação se inicia a revelação do Deus do diálogo. Ahistória salvífica do homem compreende em profundidade e interpreta também a criação do mundo, precisamente porque esta é o início do diálogo salvífico (palavra criadora e palavra salvadora, sempre no âmbito dialógico). Em realidade, o que seja mesmo a criação só aparecerá claramente na consumação final. Esta consumação ilumina o início. O paraíso está sendo, assim, gestado no agora da relaçãoIahweh-Israel que supõe e inclui a criação. Destarte, a imagem do paraíso tem um caráter predominantemente escatológico. Não é referida propriamente ao passado, mas ao futuro de plenitude.
O poder criador de Deus se manifestará plenamente no final, na plenitude que Ele realizará. Só na consumação é que se descobrirá o quanto é admirável a grandeza criadora de Deus.


2) Qual a compreensãosapiencial da criação? (UP pg. 124-126)

A criação não aparece teologicamente como o fundamento das intervenções salvíficas de Iahweh (tal como no Dêutero-Isaías e no relato de Gn 1,1ss); pelo contrário, o movimento é precisamente inverso: do interesse básico pelo mundo como criação o homem é levado até à história da salvação. Para compreender corretamente a criação é preciso mencionar Israel e odesígnio divino a seu respeito. Com outras palavras, a fé no Deus que intervém salvificamente nos acontecimentos da vida de Israel é apresentada em função e a serviço da compreensão adequada do mundo criado. A relação homem-cosmos aparece como mais fundamental que a relação homem-história. Defrontamo-nos aqui com a perspectiva própria da tradição hermenêutica manifestada.
No mundo criado o sábioisraelita percebe a presença da sabedoria, da harmonia e da ordem que questionam e interpelam a sensibilidade religiosa do homem. A sabedoria e a grandeza do criador podem e devem ser detectadas no mundo criado por Iahweh. Na criação o homem encontra a revelação de Deus, a palavra de Deus que chega ao homem carregada de promessas de salvação.
O mundo criado é também revelação de Deus. Esta é agrande novidade da literatura sapiencial no que se refere à fé na criação. E como revelação de Deus deve ser encarada pelo homem que deve se abrir à sua interpretação. Uma revelação que é também amor e salvação de Deus, tal como a história soteriológica de Israel.
Deus é o criador do mundo. Mas a ação de Deus no mundo e na existência humana é obscura, misteriosa, desconcertante. O mundo criado éestranho ao homem, que vive na insegurança uma existência trágica e resignada.
O reconhecimento do mundo como criação e como dom de Deus suscita no ser humano crente a oração de ação de graças e de louvor. É o que fazem os salmos da criação: Sl 8; 19; 104. Este reconhecimento da criação como dom de Deus traz consigo a experiência de uma profunda comunhão com as criaturas qualitativamente...
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