Antropologia iii – estrutura e processos sociais

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  • Publicado : 15 de outubro de 2012
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ANTROPOLOGIA III – ESTRUTURA E PROCESSOS SOCIAIS

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS


AVALIAÇÃO

Turner acredita que os processos sociais não se dão através da transformação da estrutura, mas da pessoa social inserida dentro dela. Para tanto, torna-se essencial o estudo do rito, visto que é ele que promove as mudanças dos papéis sociais e individuais de uma sociedade. Esteseventos possibilitam a transição (do(s) sujeito(s)) de um estado ocupado anteriormente para um outro, onde determinadas funções e comportamentos serão socialmente cobrados. De acordo com teoria dos ‘ritos de passagem’ de Van Gennep, os ritos possuem três etapas: a fase da separação do indivíduo/grupo da estrutura social; a fase liminar, onde o transitante encontra-se à margem da sociedade; e a faseda reincorporação do sujeito – onde a passagem esta consumada. Turner utiliza-se desse conceito de liminaridade para fundamentar a importância do rito nos processos sociais; uma vez que o sujeito ritual encontra-se – no momento exato do evento – nesta posição de dissociação em relação à sociedade. Esta desagregação é geralmente associada a uma condição de ambigüidade e submissão, onde o transitanteé submetido a diversas práticas que o transformarão em um “outro” ser. Nas palavras de Turner: “É como se fossem reduzidas ou oprimidas até a uma condição uniforme, para serem modeladas novamente e dotadas de outros poderes, para se capacitarem a enfrentar sua nova situação de vida” (...) “um momento situado dentro e fora do tempo, dentro e fora da estrutura social” [1]·.
O ritualapresenta-se, portanto, como uma situação de oposição à rotina, momento de auto-reflexão social, onde a sociedade se pensa e se ajusta a si mesma; um lugar atemporal, mas de certa forma seguro, visto que tal situação está prevista pela própria estrutura. O rito é uma forma de de confirmação, de manutenção estrutural. Neste sentido, a análise do ritual não deve limitar-se ao próprio evento, mas abranger umcontexto maior, envolvendo a ordem cotidiana do período anterior e posterior a ele. A explicação do rito não está na cosmologia (no mito), mas se encontra aquém e além dele; sendo, o mais relevante aquilo o que ele está conectando (rotina X cerimônia).
O indivíduo encontra-se numa realidade ambígua, de difícil classificação e que, pelo fato de possibilitar uma reflexão distanciada sobre aestrutura – uma vez que se encontra ‘fora’ dela -, agrega valores simbólicos geralmente pejorativos. Entretanto, é essa condição de exterioridade a principal responsável pelo efetivo funcionamento e manutenção da própria estrutura. O conceito de ‘communitas’ sugere, segundo o autor, um exemplo empírico de uma realidade liminar. As ‘communitas’ são espaços que funcionam como descolamanto da vida social;uma “sociedade” com características homogêneas e igualitárias, formadas com o intuito de não pertencer à estrutura social, ou melhor, de contrapor-se a ela, criando uma antiestrutura – baseadas em regras de oposição à estrutura vigente. Diferentemente da liminaridade, as ‘communitas’ são necessariamente efêmeras. Devido seu caráter questionador e segregador, ameaçam o desenvolvimento da estruturasocial e, com o tempo, acabam sendo destruídas (como pudemos observar no exemplo da sociedade de Canudos) ou sofrendo modificações internas, favorecendo o aparecimento de uma hierarquização e diferenciação; sendo, portanto, absorvidas pelo sistema (como aconteceu com o movimento hippie).
A liminaridade (incluindo, portanto, as ‘communitas’) não é um estado em si, já que a própria denominação“liminar” tem a necessidade de uma condição de oposição para existir, assim como a ‘communita’ só pode ser considerada antiestrutural porque existe uma estrutura que se opõe a ela. A liminaridade é, portanto, um modelo diferenciado de estrutura, mas que se encontra, na verdade, inserida dentro da estrutura maior, aliás é a Turner utilizou-se do rito para explicar o estado de liminaridade e...
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