Antonio boaventura da silva e a educação física: o intelectual e seu pensamento na década de 1940

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 16 (3986 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 25 de maio de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
ANTONIO BOAVENTURA DA SILVA E A EDUCAÇÃO FÍSICA: O INTELECTUAL E SEU PENSAMENTO NA DÉCADA DE 1940 Luiz Fernando Costa de Lourdes, PUC-SP e Unicsul 1 O projeto de pesquisa apresentado neste resumo, propõe uma investigação na área de História da Educação Física que tem como referência teórica os pressupostos do projeto Internacionalização-nacionalização de padrões pedagógicos e escolares (Brasil,os meados do século XIX ao Pré-segunda guerra mundial) do Programa de Estudos Pós-graduados em Educação: História, Política, Sociedade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Nesse projeto constituem foco privilegiado de estudo o ensino secundário e o ensino profissional, nos quais se busca investigar a adoção de modelos e constituição de padrões de ensino (cf. Warde, 2003, p.2).Aponta-se para as relações sociais e culturais presentes nos processos de internacionalização-nacionalização com que tais padrões foram

complementarmente configurados, procurando fundamentar “uma crítica a idéia de ’modelo estrangeiro’ [...] pautada nos viciosos supostos ‘influência’ e de lugares das idéias” (cf. Warde, 2005, p.1). Quanto a modelos e padrões pedagógicos, a historiografia da EducaçãoFísica no Brasil tem tratado diferentemente o tema. Soares (2001), em seu livro Educação Física: Raízes Européias e do Brasil, faz uma análise da influência da instituição médica higienista na Educação Física a partir do século XIX até a década de 1930, e de como os métodos ginásticos europeus se caracterizaram em práticas pedagógicas escolares; por fim, como essa Educação Física serviu para adisciplinarização e domesticação dos corpos. Segundo Soares (2001), o método francês foi instaurado no Brasil por volta de 1907, pela missão militar francesa, que veio para ministrar a instrução militar para força pública de São Paulo (cf.p.75). Em 1921, chega às práticas escolares. Para a autora, a preocupação dos intelectuais brasileiros era tornar o Brasil um país civilizado e na educaçãofísica, seus profissionais deveriam ser “... os arautos da saúde, vendedores de força e beleza, robustez e vigor” (cf.p.118), portadores de um civismo impar; como esta formação cívica estava vinculada a instrução militar, o método utilizado na caserna teria de ser o mesmo a ser
1

Mestrando do Programa de Estudos Pós – Graduados em Educação: História, Política, Sociedade da Pontifícia UniversidadeCatólica de São Paulo e Docente do Curso de Educação Física da Universidade Cruzeiro do Sul de São Paulo.

aplicado na escola, tendo como objetivo promover a higiene moral, cívica dos corpos-cidadãos (Soares, 2001). Outro ponto de vista tem Amarílio Ferreira Neto (1999), que, em seu livro A Pedagogia no Exército e na Escola: a Educação Física Brasileira (1880-1950), mostra que tipo de relaçõeshavia entre os órgãos de instrução pública e o exército, evidenciando que, contrariamente ao que se estabeleceu como sendo uma mera reprodução da macroestrutura pela educação física, o projeto militar de educação para a sociedade civil teve diferentes apropriações e interpretações. Para Ferreira Neto (1999, cf. p 58), muito embora “a doutrina no Exército é regulamentada e não permiteinterpretações diversas”, seria razoável supor que a Educação Física da escola “civil”, mesmo que oriunda da caserna, tenha tido diferentes interpretações, seja do Regulamento No. 7 ou do método francês. Assim, a prática do método francês na escola não era a mesma da instrução militar, dentre outras coisas, porque estava prevista a aplicação prioritariamente de jogos para crianças entre 4 e 13 anos (cf.p.65).O estudo de Ferreira Neto abre o caminho para problematizar a respeito de como modelos podem ser diferentemente apropriados, pois, ao se pensar que os “modelos pedagógicos” não se constituem de forma unilateral e nem “monolítica”, mas entram em contato e conflito com outros “modelos” e convenções, pode-se pensar a configuração dos padrões culturais e educacionais “livre dos constrangimentos...
tracking img