Antigo regime nos trópicos - resenha crítica

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  • Publicado : 28 de fevereiro de 2013
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A presente resenha visa analisar dois fragmentos de textos extraídos do livro O Antigo Regime nos trópicos: A dinâmica imperial portuguesa (séculos XVI-XVII), dos organizadores João Fragoso, Maria Fernanda Bicalho e Maria de Fátima Gouvêa.
O primeiro fragmento trata-se do capítulo um intitulado: A formação da economia colonial no Rio de Janeiro e de sua primeira elite senhorial (séculos XVI eXVII) escrito pelo historiador João Fragoso. Apesar de ter sofrido forte influencia marxista, este autor busca fundamentar suas pesquisas através de uma análise micro-histórica dos fatos, questionando os modelos clássicos de interpretação da história colonial do Rio de Janeiro, que propunham uma relação de subordinação entre a metrópole e a colônia.
Destacou a capacidade dos colonos em negociarcom a metrópole, expondo os atores envolvidos com a colonização, a presença da nobreza da terra e os comerciantes transatlânticos. Através da redução da escala de observação pode demonstrar as transformações ocorridas na capitania do Rio de Janeiro ao longo dos séculos XVI e XVII.
“Ao buscarmos entender a colonização portuguesa nas suas vastas áreas coloniais,
percebemos que a realidade doAntigo Regime português não poderia passar desapercebida. Para entender o porquê desta colonização, a capacidade de negociação que as colônias tinham, as vicissitudes locais e a própria “vida na colônia”, recorremos à abordagem micro-analítica, com a percepção das interações sociais, das incertezas e escolhas dos agentes envolvidos. A micro-história ao propor um método, uma abordagem que fugiriadas explicações estruturais e mecânicas da sociedade, cairia como uma luva para os historiadores: as hierarquias sociais, o exercício do mando, os escravos, os libertos, os comerciantes, tudo que compunha a colônia só poderia ser visualizado a partir de uma observação a nível micro. A dinâmica imperial nunca mais seria a mesma .”
O segundo fragmento objeto da presente resenha trata-se docapítulo dois intitulado: Os homens de negócio do Rio de Janeiro e sua atuação nos quadros do império Português de autoria do historiador Antônio Carlos Jucá Sampaio, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolve pesquisas com ênfase na História do Brasil colonial, além de ser editor da revista de história Topoi . Através de suas pesquisas, o autor demonstrou como no Rio de Janeiroda virada do século XVII para o XVIII, o grupo mercantil ganhou tamanha importância frente aos negócios, que se separou da tradicional elite agrária carioca, sendo a primeira metade do setecentos considerada como o período de formação da autêntica comunidade mercantil carioca.
Cabe, agora, ressaltar o que cada capítulo traz de importante para as pesquisas referentes à conjuntura do Rio deJaneiro colonial, entre os séculos XVI e XVII. No texto composto por João Fragoso, sua primeira conclusão é a de que os anos de 1612 a 1629 foram decisivos para a arrumação da economia escravista e exportadora da Guanabara. Comprova este fato através da análise dos registros paroquiais de batismo, casamentos e óbitos; escrituras públicas e cartas de sesmarias.
Outra importante observação é sobre achegada das famílias, no período de 1565 a 1700, que se tornariam senhoriais no decorrer do século. Ao conjunto de famílias desembarcadas antes de 1600, inclusive seus descendentes, o autor denominou de família de conquistadores. O conjunto de 1601 a 1620, a segunda onda migratória, foi denominada de povoadores. Do oferecimento de seus descendentes a forasteiros surgiram as famílias denominadasextensas ou de linhagens. Já no caso das famílias que não absorveram genros estrangeiros, desdobrando-se em outras casas senhoriais, foram nomeadas de simples.
O autor faz toda esta digressão para apontar que cerca de mais da metade das famílias que possuíam engenho no período tiveram seu começo antes de 1620, configurando-se como o núcleo fundador da futura elite senhorial. Afirmando que a...
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