Antero de Quental

Páginas: 11 (2688 palavras) Publicado: 3 de maio de 2014
O discurso proferido por Antero de Quental, proferido em 27/05/1871, trata da decadência dos povos peninsulares. Segundo Antero, essa decadência surgiu após um período de “força gloriosa e rica originalidade”. Ele apela aos seus ouvintes de modo que os erros do passado fossem tratados, comparando tal ato ao pecador que se humilha diante de Deus e é perdoado. Seria necessária humildade para quesuperassem aquela decadência, através do que ele chama de “fraternidade das ideias”, ou “fraternidade moral”. Somente assim as diferenças seriam vencidas em prol do bem comum, num caminho pautado pela lealdade e tolerância.

Ele passa a tratar da situação de abatimento que caracterizava essa decadência, lembrando a grandeza, a importância e a originalidade dos peninsulares nos períodos daRenascença, Idade Média e Antiguidade. A raça peninsular sempre primou por sua independência local, originalidade inventiva, instinto político de descentralização e federalismo, visto na soberania dos reinos e condados. Houvera no passado um “espírito independente e autonômico das populações”, o que era “singularmente democrático”. Um tempo em que existia uma união entre nobres e populares, e onde oinstinto do Direito estava nas consciências das pessoas.

Esse povo não aceitava o despotismo religioso e político, mas era religioso por natureza, fazia a sua própria religião com paixão, e não a aceitava feita ou imposta por terceiros. Não aceitava dogmas, teologia e mistérios cristãos, mas adorava seus santos padroeiros. Antero classifica isso como o “gênio criador e individualista, que precisarever-se nas suas criações”. Essa atitude da Península diante de Roma partia do povo, e não apenas de alguns. A caridade se sobrepunha ao preconceito, e na fecundidade do povo, saíam santos cujas histórias causavam compaixão.

Mas o espírito peninsular também se destacara no mundo da inteligência, especialmente na Idade Média, na filosofia escolástica, teologia, criações, arquitetura efilosofia. Mesmo sem a herança romana, a Península gerou filósofos, teólogos, papas, celebridades e doutores, acompanhando sempre a Europa. Os peninsulares também se destacaram nos estudos geográficos e na fabricação de grandes navegações. Esse trabalho científico gerou Magalhães e Colombo.

Antero trata agora do papel da Península na Renascença. Houve uma geração em meados do século XVI que respondeuao chamado da Renascença, promovendo uma grande renovação dos estudos, o que gerou a criação de diversas universidades. A filosofia neoplatônica foi adotada pelos mais eminentes, e surgiram dali nomes como Camões, Cervantes, e muitos outros. O humanismo também teve seu destaque na Península juntamente com a arquitetura. Foi um tempo de glória, mas que em apenas 50 a 60 anos, tornou-se em um tempode escuridão, pobreza, inércia e “ininteligência”. Antero atribui a Felipe II, dentro do que ele classifica como “monarquia anômala, inconsistente e desnatural”, a causa da decadência da que aparece na política, influência, trabalho, economia e indústria. Nesse tempo de decadência, notava-se o crescimento de nações outrora obscuras, enquanto que Espanha e Portugal tornam-se “duas nações espectro”no meio dos povos. A aristocracia palaciana governava um povo que emudecia e aceitava a nobreza cortesã. Não havia mais uma força ou resistência que equilibrasse a realeza.

Os povos peninsulares passaram do período da Renascença para os séculos XVII e XVIII numa espécie de “salto mortal”, deixando para trás a glória e caindo nos laços da aristocracia que barrava o crescimento da classe média.Por isso decaiu também a vida econômica, a produção, a agricultura, o comércio e a indústria. Cresceu a miséria e a população diminuiu. O espírito nacional agonizava. Na poesia e na filosofia também era um tempo de escuridão. Após uma geração de filósofos e sábios, veio uma “tribo vulgar de eruditos sem crítica”. A ausência de sentimento e invenção refletiu-se na arte em um tipo de “morte moral”....
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