Antecedentes das cruzadas

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  • Publicado : 17 de dezembro de 2012
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Cruzadas: Guerra Santa ou Luta Armada?

As Cruzadas, termo que vem do italiano “Crusciata”, foram a maior demonstração do poder e influência da igreja na sociedade medieval, e é considerada,por historiadores como Cécile Morrison, sua maior vitória e ao mesmo tempo, sua maior derrota.
Seu ponto de partida oficial é o Concilio de Clermont no dia 27 de novembro de 1095, onde o Papa Urbano II faza sua pregação exortando os presentes à defesa dos territórios cristãos no Oriente e a tomada de Jerusalém das mãos dos muçulmanos, pois segundo sua pregação:
É urgente levar com diligência aos nossos irmãos do Oriente a ajuda prometida e tão necessária no presente momento. Os turcos e os árabes atacaram e avançaram pelo território da România até a parte do Mediterrâneo [...] eles os venceramsete vezes em batalhas, matando e fazendo grande número de cativos, destruindo as igrejas e devastando o reino. Se vós deixardes isto sem resistência, estenderão os seus exércitos ainda mais sobre os fiéis servidores de Deus.
O entusiasmo com o qual a população, tanto nobre quanto camponesa, “tomou a cruz” surpreendeu até mesmo Urbano II. Respondendo a última frase de sua pregação “Esta é avontade de Deus” aos gritos de “Deus quer”, espalhou-se pela Gália uma grande onde de união à Cruzada, e segundo o livro “Historie Anonyme de La Premiere Croisade” muitos viram o chamado à Cruzada nas palavras de Cristo no evangelho, em passagens como “Se alguém quiser me seguir, renuncie a si próprio, tome a sua cruz e siga-me”, e isso aliado aos discursos feitos por arcebispos, bispos e abades nasregiões e províncias da Gália, sob o comando do Papa, convocavam os Francos a sem demora buscarem seguir os passos de cristo, costurando cruzes em suas roupas e chamando a si mesmos de “soldados de Cristo” e “marcados pelo sinal da cruz” (crucesignati em italiano).
Entretanto, apesar da convocação de Urbano II trazer a defesa dos territórios cristãos no Oriente como pilar Central da Cruzada,muitos historiadores, como Cécile Morrison, afirmam que isto foi apenas um “pretexto”, muitos outros motivos estavam por trás do envio de um exército para a Terra Santa. Condições econômicas e sociais, como o alto crescimento demográfico, a falta de terras cultiváveis, crescimento da economia monetária e das trocas comerciais, explicam em parte o movimento que leva ao Oriente europeus ocidentais embusca de melhores condições.
Mas é certo afirmar que, entre todas estas condições motivadoras para a Cruzada, aquela que podemos tomar como principal, do ponto de vista eclesiástico, era aumentar a influência e o poder da Igreja na Europa, diminuídos diante da ascensão dos senhores feudais nos séculos X e XI. Urbano viu nos pedidos de auxilio feitos pelo Imperador Bizantino Alexius Comnenus I, achance que tanto queria para colocar os nobres e cavaleiros europeus sob a égide da igreja. E segundo Hilário Franco Jr, podemos observar que os primeiros passos dados para este fim estão presentes na pregação de Urbano II, que aumenta o alcance da, já instituída pela igreja em meados de 1030, Trégua de Deus, que tinha como objetivo limitar e controlar as guerras entre os senhores feudais, visandoassim diminuir as perdas de vidas e de recursos.
Segundo Raul Glaber e Orderic Vital, os ditames da Trégua traziam o seguinte texto:
“Uma Trégua de Deus deve ser mantida do advento do senhor até as oitavas da Epifania e da Septuagésima até as oitavas da Páscoa, e do primeiro dia de Rogações até as oitavas de Pentecostes, e em todos os momentos do pôr do sol de quarta-feira à aurora desegunda-feira.”
Na “nova” Trégua de Deus instituída por Urbano II em Clermont, ele pede:
“Que aqueles que se acostumaram a travar guerras particulares contra os fiéis marchem agora contra os infiéis nesta guerra que deve começar agora e terminar apenas com a vitória. Que aqueles que enfrentam irmãos e parentes tornem-se Soldados de Cristo e lutem agora contra os bárbaros [...] Que nada atrase...
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