ANOS 1850: VARNHAGEN O elogio da colonização portuguesa

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1147 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 8 de janeiro de 2014
Ler documento completo
Amostra do texto
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – UERN
FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS – FAFIC
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA - DHI
Disciplina: Historiografia
Aluna: Melissa Veyda Albuquerque

Reis, José Carlos. As Identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC/ José Carlos Reis – 9. Ed. ampl. – Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. Xxviii, 208 p.

ANOS 1850: VARNHAGEN
O elogio da colonizaçãoportuguesa

RESUMO

Francisco Adolfo de Varnhagen era filho de um oficial alemão com uma portuguesa e, logo aos seis anos de idade passou a residir em Portugal. Conhece-se pouco sobre sua formação intelectual. Sabe-se que além de uma formação militar, técnica e matemática, estudou paleografia, diplomática e economia política. Quanto à história era um autodidata, estava adaptado à produçãohistórica de sua época, foi um dos pioneiros da pesquisa arquivística e do método crítico do século XIX.
Em 1841, adotou a nacionalidade brasileira, logo após a confirmação antecipada de D. Pedro II no trono. Seu amor pelo Brasil confundia-se com sua fidelidade à família real portuguesa. Varnhagen é considerado o “Heródoto do Brasil” por iniciar a pesquisa metódica nos arquivos estrangeiros, ondeencontrou e elaborou inúmeros documentos relativos ao Brasil. Em 1850, sua História geral do Brasil sugeria um novo perfil do Brasil independente, esboçando uma nova visão sobre o passado do país, do qual se projetaria um futuro inteiramente novo.
Em 1838/39 foi criado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), que foi de suma importância para a constituição da história brasileira, poisaté 1931-33 seria o único centro de estudos históricos do país. Levando em conta que o imperador precisava dos historiadores para legitimar-se no poder e a nação recém-independente, de um passado do qual pudesse se orgulhar, Varnhagen obteve os recursos necessários à construção da sua obra.
Em 1840, o IHGB premiou o texto “Como se deve escrever a história do Brasil” escrito pelo botânico e viajantealemão Karl Philipp Von Martius. Von Martius lançou as linhas mestras de um projeto histórico capaz de garantir uma identidade ao Brasil. Desse projeto originou-se a idéia de um Brasil-nação. Com ele, surgiu o mito da democracia racial brasileira. Von Martius considerava que a mescla de raças singularizava o Brasil, mas que o historiador deveria promover uma história que representasse a unidadebrasileira.
Eis a história de que o Brasil recém-independente precisava, ou melhor, as elites brasileiras: uma história que privilegiasse os heróis portugueses do passado, que elogiasse o Brasil, uma história sem tensões, separações, exclusões, ou fragmentações. Contudo, o projeto de Von Martius era tão grande que ele próprio não se pôs a fazê-lo. Foi Varnhagen que tomou para si a tarefa e acaboupor produzir a grande síntese do Brasil do século XIX.
As críticas posteriores à sua História geral do Brasil são discordantes. J. H. Rodrigues, A. Canabrava e P.M Campos o consideram o maior historiador da sua época e sua obra um monumento da história brasileira do século XIX. No IHGB era tido, apesar de certas ressalvas, como o maior expoente do próprio instituto. Contudo, para N. Odália, suaobra foi escrita num estilo literário monótono e seu interesse de leitura seria hoje muito restrito. Seria um autor superado por suas limitações, que deveria ser lido somente como testemunho de uma época.
Capistrano de Abreu reconhece os numerosos problemas de sua obra: seu estilo voltado para a crônica, a falta de intuição, a uniformidade que deu a história tornando-a repetitiva. Mas, apesarde tudo reconhece que sua obra impõe respeito e mostra um progresso na maneira de conceber a história da pátria. Dos analistas de Varnhagen, somente Odália rejeita sua obra quase integralmente e lamenta sua grande influência. Os outros, em meio às restrições, consideram-no mestre e expoente de sua época.
O que o Brasil queria ser? O Brasil queria continuar sendo português. Defendido e...
tracking img