Analises do tesouro

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UNIESP / IESA - CURSO DE LETRAS - Santo André - SP - 2012

“E a fera olhou para a face da bela e ela ficou em suas mãos. E a partir desse dia, a fera estava condenada à morte”.
(Provérbio Árabe)

Analises do Tesouro de Jorge Ricardo Barboza


Do outro lado do atlântico, Eça de Queirós sem esmorecer a escrita, não escapa a luta territorial e transcreve as mesquinharias humanas, sem aprévia preocupação e a necessidade medieval de salvar as almas e os dogmas. “O tesouro” retrata em poucas páginas: astúcia, crimes, egoísmo e suas consequências; os meios de vida que interferem e corrompem os homens.

Simbologia


Durante o conto em terceira pessoa revela-se insistentemente o número três, que se refere à representação do inteiro e da família. No caso dos três irmãos Medranhosnão revela uma hierarquia (pai, mãe e filhos; ou representações bíblicas como os três reis magos, ou mesmo, a trindade), mas a falta de fraternidade, companheirismo e reconhecimento sanguíneo como nas “três éguas lazarentas”. O tesouro está imaculado num cofre de ferro com três fechaduras contra curiosidade, cobiça e apropriação indevida; e com três chaves que só podem ser usadas juntas. O planoinfalível é afiançado pelo individualismo de três alforjes de couro, três maquias de cevada, três empadões e três botelhas de vinho, que os vai conduzir à tragédia.
O nome da personagem principal R-U-I é marcado também por esse egoísmo exacerbado, seja pelas três letras que constitui o nome ou conjugação verbal de terceira pessoa do presente do modo indicativo que sugere ao nome significado dedesgaste metódico e continuo (sem uso de força excessiva). O individualismo chega ao máximo com Rui se alto intitulando: D-O-M; como se seu titulo anterior de fidalgo não valesse mais nada pelo rebaixamento da aristocracia pela falta de poder financeiro (... em todo o Reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e os mais remendados).

Fora isso, outros símbolos são obscurecidos pela falta deraciocínio, conhecimento e sabedoria dos Medranhos como:

LAREIRA – que simboliza luz no lar, calor, e centro da vida. No conto, no primeiro momento, é descrito como “... negra, onde não estalava lume, nem fervia panela de ferro...”, e no segundo nas viagens psicológicas de Rui, sonhando-se rico (longe da realidade do corrompido).

PÃO – que é alimento sagrado, que se multiplica ao ser divididoaparece negro (excessivamente duro ou queimado, passando do ponto).
“... devoravam uma côdea de pão negro, esfregada com alho”.

LUZ – o grande símbolo da iluminação e esclarecimento, por sinônimos parece desconhecido por estes homens.
“Depois, sem candeia, através do pátio, fendendo a neve, iam dormir”.
“... subiriam para Medranhos, sob a segurança da noite sem Lua”.
“Já entre os troncos asombra se adensava”.
“Anoiteceu... Uma estrelinha tremeluzia no céu”.

TELHA – que significa proteção em todo ambiente. Falta no primeiro momento e no segundo surge como parte da imaginação de Rui. Temos isso nos seguintes fragmentos:
“... o vento da serra levara vidraça e telha, passavam eles tardes desse inverno”.
“... pensava em Medranhos coberto de telha nova, nas altas chamas da lareirapor noites de neve”.

ÁGUA – representa a vida e a purificação, aparece muitas vezes no conto sendo contaminando pelos homens:
“... (e que os três tinham desbatado a cutiladas) um fio de água, brotando entre as rochas, caía sobre vasta laje escavada, onde fazia um tanque”...
“... Rostabal caiu sobre o tanque, sem um gemido, com a face na água, os longos cabelos flutuando”.
“... entre uivos,procurava o fio de água, que recebia pelos olhos, pelos cabelos”.
“... a fonte, cantando, laçava o outro morto”.

CORVO – ave de mau agouro, segundo a simbologia, é o pássaro negro dos românticos, que aparece várias vezes nos caminhos do conto sentenciando:
“Um bando de corvos passou sobre eles, grasnando”.
“Para além, na vereda, um bando de corvos grasnava”.
“Dois corvos de entre o bando...
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