Analise regime escravista no brasil

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 12 (2809 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 28 de janeiro de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
Análise comparativa sobre o regime escravista no Brasil


A forma em que se estruturou o regime escravo no Brasil a fim de atender às necessidades de uma agricultura latifundiária e exportadora nas mãos de poucos proprietários consolidou três classes socais próprias durante a colônia: o Senhor (latifundiário, fazendeiro, senhor-de-engenho, senhor de escravos), o escravo (propriedade dosenhor), e uma terceira, o “homem-livre”, pequeno lavrador que se distinguia do segundo pela prática do “favor”, uma relação de lealdade e prestação de serviços para com o Senhor, que lhe concedia moralmente a condição de pessoa, categoria muito importante numa sociedade dividida entre senhores e escravos.
É a prática e o ideário que envolve e permeia as relações econômicas, políticas, sociais emorais entre essas três classes que serão objeto de estudo deste trabalho.

Para Roberto Schwarz, o regime escravista se encontrava fora do objeto da ciência política, na verdade, era um fato moral impolítico e abominável que não encontrava compatibilidade nem ideológica nem prática com o liberalismo europeu. Desse princípio Schwarz expõe o surgimento do liberalismo no Brasil como uma “idéiafora do lugar” (Schwarz, 1977).
Ainda segundo o pensador, escravismo e liberalismo apareciam como duas coisas distintas e antagônicas, no desenvolvimento do capitalismo: o liberalismo consistiria no trabalho livre e assalariado, na especialização do trabalho, na produção do trabalho em um mínimo de tempo, na eficácia dessa produtividade, na modernização continuada, no desenvolvimento docapitalismo industrial, no ideário de autonomia da pessoa humana, na remuneração objetiva, e numa sociedade onde vigoraria a universalidade da lei, enquanto que no Brasil vigorava o trabalho escravo, o trabalho em um máximo de tempo, baseado no autoritarismo e na disciplina, no desenvolvimento do capital comercial, do latifúndio, e no ideário do “favor”, que consistia na dependência da pessoa, nos serviçospessoais e na exceção da regra.
Nesse sentido, Schwarz reconhece aí o antagonismo e a incompatibilidade do liberalismo frente à prática que consistia o regime escravista. As idéias, as formas, as teorias liberais, quando confrontadas com a prática brasileira produziu, por sua vez, uma coexistência estabilizada, uma espécie de sincretismo entre o liberalismo europeu e a cultura brasileira. Dessaforma, o liberalismo se manteria em forma de discurso simbólico e ilustrativo, como se o discurso liberal tomasse novas justificativas para as velhas práticas referentes ao regime escravista brasileiro. Assim, as práticas do favor – fosse no campo, na justiça, nas administrações burocráticas - ganhavam uma nova justificativa, deslocada da realidade brasileira para o ideário liberal. Nas palavrasde Schwarz, um verdadeiro quiprocó entre idéias liberais e realidade brasileira.

A crítica que se faz, portanto, a esse raciocínio é que é preciso ter por princípio que os ideários liberais surgiram na Europa e foram de certa forma importados para o Brasil e adaptados frente à realidade da época, considerando a Europa como centro de produção inclusive no campo ideológico enquanto o Brasilseria um país de periferia que não produziu seus próprios ideários, sua própria história particular. Essa forma de pensamento constrói uma idéia geral simplista da história da modernidade, trazendo a idéia de uma história linear, onde a Europa seria o centro irradiador de história e os países periféricos como o Brasil estivessem fora desse sistema, atrasados frente aos países industrializados. Aprópria idéia de atraso deve ser questionada, uma vez que ela denota um deslocamento dos países chamados atrasados frente ao contexto mundial do desenvolvimento do capitalismo, como se eles não fizessem parte dessa história, tivessem chegado depois. Por sua vez, o escravismo, ainda no pensamento de Schwarz, também aparece deslocado da lógica do desenvolvimento universal do capitalismo. E é...
tracking img