Analise literaria e recurso de linguagem

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“A poesia nossa de cada dia”

Objetivo
Este trabalho relata alguns poemas modernistas, com análises literárias, reflexões e os recursos de linguagem das mesmas. Os poemas são do autor brasileiro Carlos Drummond de Andrade, suas poesias apresentam ironia, desencanto, pessimismo, visão crítica da realidade social e uma luta pela expressão verbal.

No meio do caminho

No meio do caminhotinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

Análise Literária:
No poema há uma repetiçãoda palavra “pedra”, fazendo então com que aumente o significado da mesma. Drummond eleva esta pedra ao nível de obstáculo, um obstáculo que impede que se prossiga o caminho.

Reflexão:
O autor estava falando da "pedra" como as coisas que de certa forma nos atrapalham na vida, que não deixam ou adiam algo que temos que fazer. E sendo assim, a gente nunca esquece.

Recursos de linguagem:Eufemismo:
“na vida de minhas retinas tão fatigadas” (Retina: visão; Fatigadas: Cansaço)
Inversão:
“No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho “
Anáfora:
“tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho”

Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Umburro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade

Análise Literária:
O cotidiano é retratado de forma irônica e bem humorada, numa aproximação com o poema-piada.

Reflexão:
Neste poema, o autor demonstra a vida tranqüila de uma cidade pequena, em que não se tem nada para fazer, e acaba se tornando parada.

Recursos de linguagem:Prosopopéia:
“Devagar... as janelas olham.”
Assonância:
“pomar amor cantar.”
Apóstrofe:
“Eta vida besta, meu Deus.”

Os ombros que suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho
E o coração está seco.
Emvão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco me importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança:
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenasque a vida prossegue,
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns achando bárbaro o espetáculo,
preferiam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida, apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade

Análise Literária:
Nesse eu - lírico, vigora a ausência do místico.

Reflexão:
O poeta fala na renúncia dos seusdesejos e inquietações pessoais, que só o deixarão na mais absoluta solidão: não importa a sua própria vida, o tempo que passa e a velhice que avança, em face dos problemas do mundo, dos quais ele tem uma dolorosa consciência. Sente-se solidário com os que ainda não se libertaram do sofrimento. Sua vida se impõe como uma ordem: ela deve continuar, para enfrentar a realidade de um mundo que eleimagina carregar nos ombros e que não deve pesar mais do que a mão de uma criança.

Recursos de linguagem:
Apóstrofe:
“Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.”
Prosopopéia:
“Teus ombros suportam o mundo”
Eufemismo:
“Tempo de absoluta depuração.”

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros....
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