Analise do texto o ovo e a galinha de clarice lispector

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Departamento de Letras
Disciplina: Teoria da Literatura I

Professor: Alexandre Rodrigues da Costa

Aluno: Elias de Oliveira Nascimento - 1º Período

Análise do texto O Ovo e a Galinha LISPECTOR, Clarice. In A Legião Estrangeira. São Paulo, Ática, 1977, p. 81-84
O destino incerto do ovo em um mapa

“No principio ela criou o texto. E ele era sem forma e insano; e havia neblina na entradado labirinto; e o espírito da autora já não se movia sob a face rizomatica.
E disse: haja luz, mas a luz não era a do fim do labirinto”.

O texto de Clarice pode gerar varias sensações e inquietações que podem variar de acordo com o caminho que se percorre. Logo no inicio poderia ser considerado como mimético quando diz que “Ver um ovo nunca se mantém no presente: mal vejo um ovo e já setorna ter visto um ovo há três milênios.” Esta possível retomada ao pensamento de Aristóteles da arte ser a imitação da realidade pode servir também para introduzir uma idéia de insanidade e inconstância extraído da realidade humana para o surreal do texto.
A hipotética mimese consegue existir também a partir do conceito de Platão, que diz “a realidade do texto pode estar mais próxima da humana”,uma vez que enxergamos a mente também como um mundo informe, inconstante e o celebro com suas cadeias de neurônios, que podem ser “rizomaticas” quanto a interligação dos impulsos nervosos. Este tema da recriação da realidade ainda pode ser observado quando apresenta o ovo como “o mesmo que se originou na macedônia e a galinha que continua sendo redesenhada”. Este ponto de vista enquadrando navisão de Saussure onde desconsideraríamos o contexto, enxergando o ovo e a galinha como meras formas desenhadas, sendo o ovo sempre oval, já a galinha um bípede que pode ser recriado de diferentes formas por inúmeros artistas.
Deixando um pouco o conceito mimético e entrando em outro caminho que podemos escolher uma entrada e uma rota para se trilhar este trecho de um “mapa”, sou obrigado a citarDleuze Gilles, Félix Guattari- Mil Platôs, Capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. Editora 34.São Paulo – SP, 2000.
“Um mapa não reproduz um inconsciente fechado sobre ele mesmo, ele o constrói. Ele contribui para a construção dos campos, para o desbloqueio dos corpos sem órgãos, para sua abertura máxima sobre um plano de consistência. Ele faz parte do rizoma. O mapa é aberto é conectável em todas assuas dimensões, desmontável, reversível, suscetível a receber modificações constantes.”
Podemos enxergar mimetismos ou mais profundamente relações sem sentido, sendo variável a medida que escolhemos ou mudamos a rota a ser percorrida neste “mapa”. Sendo visto desta ultima maneira o texto aparentemente sem sentido passa a encontrar o seu, ou o nosso, caminho em um mapa, uma vez que este sentidopode ser também “apto a receber informações constantes” .
Mesmo escolhendo uma rota por este “mapa” observamos trilhos que se cruzam, influenciandonos a perder neste texto, que apesar de poder ser considerado um mapa do ponto de vista rizomatico é também um verdadeiro labirinto de Clarice. É por ser um emaranhado de caminhos que não almeja ser obvio como vemos nesta passagem: “o ovo é branco, masnão pode ser chamado de branco e as pessoas que o chamam de branco morrem para a vida” nem o ovo nem este caminho deve ser obvio pois se for perdera todo o prazer como diz Paul Valéry (LIMA,Luiz Costa, Discurso sobre a estética. Teoria da literatura e suas fontes, vol. 1, Rio de Janeiro. Civilização brasileira, 2002 Pag. 20.) “Nem todo prazer se deixa guiar tão facilmente para um lugar bemdeterminado dentro de uma boa ordem das coisas.” Este prazer vem da beleza do enigma “dizer que um objeto é belo é conceder-lhe o valor de enigma.” (também no Discurso sobre a estética pág. 23) É neste turbilhão de sensações, geradas por estar perdido entre o ovo e a galinha, que vemos o belo em decifrar signos seguindo uma ótica única (gerada na escolha da rota, considerada inconsciente) de...
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