Analise do filme segredos intimos a luz do pensamente nietzscheano

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ANDRÉ LUIZ SOARES VALDEZ
FABIANO BARBOSA
GABRIEL AZEVEDO GUIMARÃES
KAREN VENEGAS
MARCIO PIMENTEL
WAGNER LOPES

ANALISE DO FILME SEGREDOS INTIMOS A LUZ DO PENSAMENTE NIETZSCHEANO


Introdução: Nietzsche e o filme: Segredos Íntimos.
O presente trabalho visa fazer uma apreciação acerca do filme Segredos Íntimos por uma perspectiva ética, traçando um paralelo com um prisma de estudosNietzschiano. O filme é orientado por uma visão israelita, tendo como cenário um seminário judeu, como enredo principal a relação conturbada entre duas de suas cursistas (Naomi e Michelle) e como pano de fundo as suas crises morais. No decorrer da obra, podem-se identificar três momentos com significação principal: 1) O momento do preconceito social, caracterizado por todas as

situações quedão uma determinação específica de papel dentro da sociedade; 2) O momento do preconceito religioso, caracterizado pelos valores

morais impostos pela religião judaica dominante; 3) O momento do preconceito sexual; caracterizado pela quebra de

convenções de papéis sexuais impostos. É com base nesta estrutura, e em seus desdobramentos que este trabalho seguirá sua linha de desenvolvimento,buscando esclarecer os pontos relacionados à moral dos fracos, a aparição da vontade de potência e a delimitação da natureza do homem.

3

Preconceito Social

No que diz respeito ao primeiro momento vemos as questões concernentes ao preconceito social na sociedade patriarcal e machista, onde a mulher deve se sujeitar às vontades do pai esperando o momento do casamento arranjado. Dentro dessemodelo social a mulher já tem um lugar determinado, tal seja o de filha sob o jugo do pai, que posteriormente passa ao jugo do marido, tendo que negar-se para viver somente em função de sua família e da satisfação do marido. A protagonista Naomy, no entanto, entra em crise com relação a esses valores a partir dos questionamentos que levanta quanto à felicidade e à realização de sua recém falecida mãeno casamento e neste papel social. Começa então a duvidar se ela própria conseguiria se adequar bem em tal padrão ou se repetiria a sina da mãe. Neste contexto pede ao pai, um rabino muito bem conceituado, para adiar o seu casamento que estava marcado e, em vez disso, ir ao seminário com o intuito de aprofundar seus estudos nas escrituras sagradas. Vê-se nesta atitude o primeiro aspecto de relaçãocom a filosofia de Nietzsche, pois a personagem passa a agir ativamente em prol da determinação do rumo de sua vida, exercendo sua vontade de potência e rompendo com os obstáculos em contrário. Assim, rompe também com a moral do fraco, pois passa a ser forte e a agir, não mais simplesmente reagindo por via de seu ressentimento, como na moral do escravo ditada por sua religião.

4 Preconceito Religioso e a Compaixão
Quanto ao segundo momento e o preconceito religioso, podemos atestá-lo com a figura da personagem Anouk, cristã que vivia entre a comunidade judaica, sendo, porém, execrada, discriminada e excluída de um convívio pleno. Tendo um histórico criminal de homicídio, tomada por pecadora de adultério, afundada em culpa e ressentimento, busca sua salvação e purificação com umRabino que, a despeito de suas súplicas, repele-a. Por determinação de compaixão religiosa, é auxiliada pelas alunas do seminário (pelo qual o mesmo Rabino é responsável) recebendo comida, mas sendo privada de interação social. Citando Nietzsche:
Nem a moral nem a religião (...) tem algum ponto de contato com a efetividade. Somente causas imaginárias (Deus, alma, espírito vontade livre – ou aindanão-livre); somente efeitos imaginários (pecado, redenção, clemência, castigo, remissão dos pecados). (NIETZSCHE, F. O Anticristo. p. 395)

De acordo com o trecho, pode-se perceber o Rabino embevecido por essas ―causas imaginárias‖, mergulhado em toda sua arrogância e pretensa pureza, que vivencia através de sua religião. Pois a moral judaica, segundo Nietzsche, é uma moral dos fracos, uma...
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