Analise do discurso religioso - a retorica do ethos e pathos no discurso cristão.

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  • Publicado : 1 de dezembro de 2012
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Introdução:
A história da humanidade nos mostra que o discurso religioso sempre esteve atrelado a interesses ambíguos. A construção da divindade, a perpetuação do medo, a construção da figura do sacerdote possuindo uma posição de autoridade, dentre outros fatores, fizeram com que esse trabalho fosse idealizado. Analisar o discurso do clérigo, procurar elementos descritos por autores comoMaingueneau – a exemplo do ethos e pathos, conceitos aristotélicos – se torna de fundamental importância para estabelecer a real intenção das igrejas cristãs em relação a seus fiéis.
Este trabalho visa analisar o discurso, e se possível atrelá-lo à semiótica, dos principais palestrantes religiosos e utilizar conceitos da análise do discurso, propostos pelo autor Dominique Maingueneau, para estabelecerprovas concretas de que o discurso do clérigo não se fundamenta na razão, mas sobretudo na paixão – ou crença – e portanto não se fundamenta, de um ponto de vista intelectual.
Este projeto visa demonstrar que é a paixão, e não a razão, quem rege o pensamento das massas que acreditam, alienadas, conduzidas a uma cegueira imaterial por uma crença indubitável, no sacerdote e em sua palavra, dita emnome de uma divindade; fato que a história comprova em diversos recortes de tempo: massas, "cegas" pela paixão exacerbada, agem como um exército e geram guerras santas.
É preciso destacar a visão agnóstica, na qual se fundamentam essas páginas. Utiliza-se da razão, e apenas desta, para fundamentar ideias e conclusões. Não se deseja com isso, ferir ou agredir a crença de terceiros. Apenasquestioná-la, racionalmente e, de preferência, civilizadamente.
Em tempo: a verdade, ou a busca desta, é um direito de todos. Não acredita-se, neste trabalho, na verdade como única, inquestionável ou demasiadamente confundida com segredo.
PROBLEMA:
A utilização do discurso, pelas religiões cristãs, como instrumento político de manutenção de poder e controle das massas sociais pode ser percebida ao longode sua história: tradição, dominação global, postura empresarial (no caso das igrejas evangélicas, mais evidentemente), ganância, escândalos e interpretações extremamente subjetivas da Bíblia. As pessoas seguem os ditos ensinamentos de Jesus Cristo há muitas gerações, mas, até então, não existe confirmação científica da sua existência.
Os fiéis acreditam na interpretação do seu sacerdote dabíblia confiando, portanto, numa interpretação subjetiva do sacerdote – o qual segue a uma linha específica de raciocínio, a depender da sua orientação religiosa – a partir da imagem que este mesmo sacerdote cria de si mesmo, em seu discurso (ethos).
Essa imagem objetiva nada mais do que construir a credibilidade, a confiabilidade da figura do palestrante, o qual é designado a ser um líder, a serseguido. Ethos, pelo dicionário de Análise do Discurso de Maingeneau e Patrick Charaudeau, “trata-se da imagem de si que o orador produz em seu discurso, e não da sua pessoa real”. Se já existe, portanto, uma relação de confiança, que é inquestionável, é sinal de que foi estabelecido o pathos.
Fixados, o respeito e a crença no caráter sacerdotal e a sedução seguida de paixão, as pessoasencontram-se suscetíveis a livre manipulação regida pelo cristianismo. A bíblia está sujeita a interpretações. No entanto, com ethos e pathos estabelecidos, será a interpretação do orador, em função das doutrinas cristãs, que prevalecerá.
Amedrontadas, levadas a acreditar – e, portanto dar criação – na existência de um inferno dotado de dor e sofrimento eterno e levadas a não racionalizar (novamente, ahistória retrata diversos momentos em que apenas o clero tinha acesso as informações e ao saber, e se utilizava disso para a manutenção da ignorância), a massa amedrontada é levada a esperar algo da figura paternal do padre (do latim, pai).

Hipóteses:
A criação do pathos na preleção religiosa serve para distanciar a racionalidade e fazer imperar a passionalidade no julgamento dos fiéis,...
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