Analise de a cidade e as serras

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 14 (3263 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 3 de junho de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Análise de A Cidade e as Serras
Como o próprio nome da obra revela (a cidade se opõe ao campo), pretende criticar o progresso técnico, urgente e rápido, na virada do século 19 para o 20. Eça de Queirós julgava, ao fim da vida, que o homem só era feliz longe da civilização. Por isso, a temática mais forte da obra é contra a ociosidade dos que têm dinheiro na cidade, e sua vida burguesa, ou seja,o acúmulo irrefletido de dinheiro.

Um interessante foco narrativo
Dizem os críticos que neste romance Eça aproveita para fazer seus personagens "olharem" as imagens que ele mesmo via quando criança. É um bucolismo romântico que volta e contamina seu romance. Na verdade, porém, quem conta a história e as aventuras por que passa o personagem principal, Jacinto Galião, é um amigo seu, JoséFernandes, que também está na história, mas sente-se menos ilustre que Jacinto, herdeiro rico e personagem central de crítica de Eça de Queirós à riqueza. 

O romance começa assim: 

"O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival".

Esse foco narrativo (ou seja, essa maneira de contar a história) tem um nometécnico, "eu-como-testemunha", e é muito apropriado para obras que desejam ser críticas, pois o personagem-narrador acompanhará o protagonista em suas aventuras; e, como contará a história tempos depois, pode ser bem crítico e analisar melhor o que aconteceu. No caso, o apego de Fernandes ao protagonista tem ainda outra razão: este narrador quer entender o que faz um homem rico (nascido em Paris,capital da França) trocar tudo pelo campo, no interior de Portugal. 

Enredo: a vida fácil no campo
Embora muito inteligente e capaz, Jacinto vive do dinheiro herdado da família. Desde pequeno tudo dava certo em sua vida. Já adulto, elegante e culto, parece achar que os males humanos seriam curados com a volta das pessoas à vida no campo. 

É muito fácil pensar assim, quando, tendo muito dinheiro,não se precisa plantar, nem colher, nem viver as privações do trabalho agrícola. Há, portanto, um moralismo simplificador nesta obra, que faz com que alguns críticos julguem o personagem um pouco tolo, e Eça de Queirós um tanto superficial.

De início, a maior preocupação de Jacinto era defender o progresso, a civilização e a cidade grande. Achava ele que ser civilizado era enxergar adiante,ver o futuro. José Fernandes (narrador e seu amigo) fica espantado quando reencontra Jacinto em Paris, em sua mansão na Avenida Campos Elísios (Les Champs Elysées), número 202. Há todo o tipo de modernidade e luxo, além de uma biblioteca com milhares de títulos dos principais escritores e cientistas do mundo. 

Convidado por Jacinto a morar em Paris, o narrador percebe (e nos conta) que Jacintovai-se decepcionando com a superficialidade das pessoas com quem convive. Ele passa a conviver mal com o barulho da cidade, com o movimento e burburinho das pessoas em festas e reuniões e com a tecnologia, que sempre o deixa na mão.

A ida para o campo
Os incidentes da vida moderna davam, na verdade, tédio em Jacinto. Seu criado fiel, Grilo, conta ao narrador que o mal de seu patrão "erafartura". "O meu Príncipe sente abafadamente a fartura de Paris...", diz ele. Jacinto, numa mudança existencial, passou a achar que Paris era uma ilusão, tudo era abafado e não havia grandeza na cidade: comerciantes, cortesãs, famílias desagregadas era a única realidade. Começa a filosofar, e o narrador nos conta o que ele dizia: "o burguês triunfa, muito forte, todo endurecido no pecado - e contra elesão impotentes os prantos dos humanitários..."

Um dia Jacinto decide: mudará para Tormes, sua propriedade rural, onde seus avós estavam enterrados. Ambos os amigos partem então de Paris para as serras. Nosso narrador ainda diz que Jacinto afirmava que "encontrariam o 202 no interior", contando, é claro, com o conforto daquela propriedade, um castelo.

As coisas não dão tão certo: o advogado...
tracking img