Analise de texto

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  • Publicado : 5 de fevereiro de 2013
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Sob a república, até os anos 30, o Estado não promove nenhum tipo de política cultural, ao contrario do que vimos na Monarquia. A criação de museus ou de outras entidades destinadas à memória nacional e à criação artística apenas se dá de maneira incidental, voltada principalmente para o gosto e deleite das elites ditas bem pensantes. Frustram-se sistematicamente expectativas como a de ArturAzevedo quanto, por exemplo, ao Teatro Municipal. O incansável batalhador do teatro brasileiro, que dedicou boa parte de sua vida a buscar apoios oficiais a ribalta, não conseguiu mais do que uma casa de espetáculos inteiramente fechada para as classes medias e baixas. Este é o contexto que o teatro brasileiro se inscreveu até os anos 30. O período getulista marca-se por profundas mudanças tantopolítico-sociais como estéticas que nos obrigam a trata-lo separadamente.
A história do teatro brasileiro do século XX pode ser percebida por três ciclos de politização da prática teatral, pois experiências isoladas se conjugaram. Nesse período muitos artistas se interessaram em fazer peças com conteúdos sociais, mostrando a brasilidade do povo. Esses momentos em que uma temática nova – que mostravano palco não apenas indivíduos, mas também forças sociais - não escondeu seu sentido explicitamente politico, o que exigiu a pesquisa de novas formas, para além do repertório estético dominante. Momentos esse que o teatro desejou dialogar com outro espectador.
O primeiro ciclo de politização do nosso teatro pouco chegou às salas de espetáculos. Aconteceu no final dos anos 20 e durante a décadade 30. Dele tomaram parte até artistas que atuavam do teatro comercial, como Álvaro Moreyra, Joracy Camargo e Jaime Costa, que acreditaram ser suficiente misturar teses comunistas com comédia de costumes.
No entanto, as mais importantes experiências de politização daqueles anos não chegaram aos palcos e foram produzidas por escritores modernistas que nunca viram suas peças encenadas, dentre osquais Oswald de Andrade e Mário de Andrade. As três peças escritas por Oswald (O Rei da Vela, O Homem e o Cavalo, A morta), e o esboço de uma ópera coletivista tentada por Mário (batizada de Café) compõem um dos mais avançados projetos de pesquisa de forma contra a burguesia.
Mesmo distanciados da prática teatral da época os modernistas brasileiros já haviam tomado conhecimento dos mesmosproblemas que o melhor teatro europeu vivia desde o final do século 19, quando o Naturalismo exigiu de gente como o encenador André Antoine uma transformação dos modos de se produzir e circular teatro. Ficava claro para a geração modernista que os conteúdos sociais novos eram filhos da Primeira Guerra e da crise da Era Liberal, com sua promessa falida de um sujeito autônomo, livre, idêntico a si mesmo.António de Alcântara Machado, que fez na crítica jornalística o que Oswald e Mário de Andrade fizeram na dramaturgia, foi o primeiro deles a verificar a impossibilidade de continuar escrevendo dramas realistas, segundo os padrões convencionais da estruturação em atos e dinâmica da intriga, numa época de homem mutilados e relações intensificadas. A crise da visão de mundo pedia dos autores acrítica das formas burguesas, onde o drama precisava ser repensado.
O novo acontecia no teatro brasileiro nessa época: uma geração intuía que os conteúdos sociais novos só poderiam ser representados por formas que não estavam disponíveis na tradição dramática. Perceberam que a vida atual não cabia mais nos dramalhões e na comedia de costumes. Que não tinha mais sentido mostrar em cena heróislibertadores, de vontade individual, lutando contra a opressão do poder, enquanto a mentira do universalismo burguês estivesse exposta.
A partir disso a intenção de um teatro de politização, nos levou a uma reflexão sobre possibilidades épicas para o teatro brasileiro. Seu limite era dado pela insuficiência da tradição cênica – presa a modelos comerciais do início do século XIX. Nosso país era de...
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