Análise do livro “lucíola” de josé de alencar

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  • Publicado : 3 de novembro de 2011
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Faculdade Jesus Maria José – FAJESU
Curso: Letras Português
Disciplina: Literatura brasileira – Prosa I
Professor: André
Aluna: Aline Reis
Atividade: Análise do livro “Lucíola” de José de Alencar

O romance traz no enredo o amor excêntrico entre Lúcia e Paulo. Sendo ele preocupado com o seu lugar na sociedade e ela uma cortesã, um relacionamento entre eles precisariaromper com alguns preconceitos da sociedade do século XIX.
Como em todos os romances urbanos, o amor é o tema central. Mais especificamente nesta obra, o amor é sublime e ideal, capaz de renúncias e sacrifícios também na visão feminina. Homens e mulheres não estão mais em diferentes níveis, assim, o amor é recíproco, sentido, discutido; vivido ou sacrificado por ambas as partes.Vítimas do sentimentalismo típico do romantismo, os personagens colocam o sentimento acima da razão. O coração toma todas as decisões de cunho social e pessoal, fazendo com que seu comportamento seja imprevisível. Muitas das atitudes tomadas por Paulo ou Lúcia são próprias de pessoas que se deixam guiar pelo sentimento. No trecho a seguir, ela decide arrumar uma amante para que Paulo não reclame de sermal falado. “— Ainda não é bastante? Que hei de fazer mais? disse com um gesto de cômico desespero. Ah! Mandarei arranjar de novo a minha casa, e darei um baile! Que diz!” (Alencar, 1988, p. 53). Ao longo do enredo, um mínimo contratempo é o suficiente para lançar Lúcia ou Paulo na mais profunda tristeza. Várias passagens descrevem quadros melancólicos. Como esta:
—Dignidade de quem se despreza a si mesma!... O que é este corpo que lhes mostrei há pouco, e que lhes tenho mostrado tantas vezes! O que vale para mim? O mesmo, menos ainda, do que o vestido que despi. Oh! creia, mais nua do que há pouco me sinto eu agora, coberta como estou e aqui onde a sombra nem lhe deixa ver meu rosto!... Porém sua alma vê o que fui e o que sou, e tenho vergonha! (Alencar, 1988,p. 32).

O sentimentalismo também pode ser usado pelo autor como uma forma de explorar os sentimentos comuns à sociedade. A consequência desse sentimentalismo é a supervalorização do amor que se mostra sublime, alheio às convenções sociais, carregado de sacrifícios e heroísmos. Como exemplo, as palavras de Lúcia quando se refere ao trágico início de sua vida como meretriz: “— Se euainda tivesse junto de mim todos os entes queridos que perdi, veria morrerem um a um diante de meus olhos, e não os salvaria por tal preço. Tive força para sacrificar-lhes outrora o meu corpo virgem; hoje não teria a coragem(...)”(Alencar, 1988, p. 98). O amor é colocado como uma força tão purificadora que, em estágio avançado, não necessita de prazeres carnais. O amor se torna sublime e platônico,capaz de transformar uma prostituta em uma amante sincera e fiel. No fim, o amor vence e o passado é esquecido e perdoado.
Eu assistia em silêncio a essa transformação. Algumas vezes tentava ainda soprar naquelas cinzas para ver se ateava uma chama do intenso fogo que lavrara ali; mas esmorecia, porque já o frio me ia invadindo; guardava-lhe sem sacrifício, como semintenção, uma fidelidade exemplar. (Alencar, 1988, p. 71).

O tema amor e morte, que é bastante usado pelos românticos, também tem decorrência da supervalorização do amor. Diante da impossibilidade de realização desse amor forte, por preconceitos da sociedade ou da moral, a atitude mais comum é o desejo de morte. Seja ela natural ou suicídio. A morte se torna a melhor saída, tendo em vista queo personagem não pode mudar seu passado. Desde o início, Lúcia apresenta essa ideia por consequência de uma doença misteriosa que Paulo não entende. “— Ah, não repare! Sofro do coração; às vezes sobe-me o sangue à cabeça, fico muito pálida, e sinto uma dor aguda que me arranca lágrimas dos olhos! Não é nada; passa-me logo. Já passou! concluiu com um sorriso dorido.” (Alencar, 1988, p. 12)....
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