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Como usar a terra e recuperar áreas degradadas na Amazônia? - 10/07/2007

Em concorrido simpósio na manhã desta segunda-feira, coordenado pelo pesquisador do Inpa Flavio Jesus Luizão, foi apresentado o Projeto Redes LBA (Low Biosphere Atmosphere), desenvolvido a partir de Manaus, que consiste num sistema de instalação de torres em áreas florestais para o monitoramento e entendimento dosmecanismos que governam as mudanças climáticas.
Este sistema permite compreender a influência da região amazônica em outras regiões.
A captação e o registro das emissões de isopreno na atmosfera e os maiores ou menores índices pluviométricos evidenciam que a floresta produz chuva.  Os registros LBA vêm demonstrando, por sua vez, que o desmatamento provoca mudança drástica na atmosfera.
Durante 11anos, a pesquisa do LBA em Alta Floresta (MT) vem evidenciando a quantidade imensa de partículas em suspensão, decorrentes da intensificação das queimadas na porção norte do estado de Mato Grosso, sendo possível acompanhar a dinâmica do carbono e os ciclos biogeoquímicos na atmosfera.
Em outro estudo que vem sendo realizado em Rondônia (dados de 1988, 1992 e 1996), as causas do desmatamentoidentificadas foram a abertura de pastagens, a extração madeireira, a agricultura em pequena escala e, agora, em grande escala (sobretudo soja), provocando compactação do solo e perda de nutrientes.
É possível ainda identificar vários níveis de impacto na paisagem através do corte seletivo, da fragmentação florestal e da manutenção da floresta em pé.
Um projeto do Inpa com o Smithsonian Institution vemavaliando a perda de nutrientes do solo pela queima de biomassa na Amazônia, onde os fatores de degradação tornam o solo improdutivo, como por exemplo, as pastagens invadidas por espécies secundárias no sistema de pouso.  Um fator complicador é a demora para recuperar o ambiente.
As duas exposições seguintes trataram das alternativas para apressar a recomposição ambiental.  A professora Ima CéliaVieira, bióloga e diretora do Museu Goeldi, apresentou um panorama da biodiversidade da região amazônica, em que 700 mil km2 de ecossistemas nativos estão degradados.
O próprio conceito deve ser entendido em sua dupla vertente: degradação ambiental (de solos, o processo de sucessão biológica com invasão de ervas daninhas) e degradação da capacidade produtiva (pastagens após 8 ou 10 anos, porexemplo).
Assim, a recuperação ambiental trata de processos bioquímicos enquanto a recuperação da capacidade produtiva lida com novos usos da terra, de modo mais produtivo que o anterior, onde a questão que se coloca é a da possibilidade ou não de a área voltar a ter as mesmas condições ou processos anteriores.  Estes não são conceitos fáceis, segundo a pesquisadora, sendo possível uma confusão com oconceito de reflorestamento e seu uso indevido.
O Centro de Endemismo Belém e a primeira lista de espécies amazônicas ameaçadas são os mais recentes estudos concluídos pelo MPEG.  O Centro de Endemismo Belém compreende uma região pouco conhecida do ponto de vista biológico, onde "se trava uma luta inglória entre a busca do conhecimento e a lista das espécies ameaçadas" (de acordo com a lista doMPEG, são 176, das quais 30 no Centro de Endemismo Belém).
Considerando que Pará abriga 32,6% do rebanho bovino nacional, a pesquisadora chamou a atenção para a questão da segurança alimentar e as relações entre agricultura e conservação.  O estado vem suprindo de alimentos (carne bovina, ovos e frango) os estados vizinhos do Amazonas e do Amapá, apesar de 80% deste estado estarem preservados.
Oplantio de espécies exóticas face à "febre da política de biocombustíveis" e seqüestro de carbono tendem a aumentar, verificando-se o avanço da cana de açúcar (o leste do está mapeado para plantio), do girassol e dendê (no sul do estado).
Deste modo, duas questões cruciais se colocam do ponto de vista biológico: até que ponto as perdas de biodiversidade em florestas primárias estariam sendo...
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