Algumas coisas sobre teatro contemporaneo

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  • Publicado : 13 de novembro de 2012
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Os grupos teatrais que surgiram nas últimas décadas, costumam eliminar a quarta parede, aquela invisível, que separa público dos personagens. A tendência é trabalhar a encenação interativa e a produção de textos coletivos. O diretor passa a ser mais valorizado que o autor. Jerzy Grotowski (1933-1999) é um dos maiores nomes do teatro experimental atual, ele propõe a criação de um “Teatro Pobre”optando por uma encenação de extrema economia de recursos cênicos (cenográficos, indumentários, etc), buscando trabalhar apenas com o que é extremamente essencial à cena, deixando somente a relação entre o ator e o espectador. Outras personalidades do teatro contemporâneo merecem destaques, dentre muitas outras, são elas: Joseph Chaikin, Eugênio Barba, Peter Brook, Richard Schechner, Heiner Müller.No Brasil, considerando que as peças escritas por Oswald de Andrade, como “O Rei da Vela” e “A Morta”, tenham sido revolucionárias para sua época, elas não foram encenadas após serem escritas, ficando esquecidas até a década de 1960. Então se formalizou que, no Brasil, o teatro contemporâneo iniciou com Nelson Rodrigues (1912-1980), cuja montagem de sua peça, “Vestido de Noiva”, em 1943, é omarco da modernidade do teatro brasileiro. Os personagens criados por Nelson Rodrigues, são um retrato fiel da psique humana. Suas peças apresentam enredos com sofisticados jogos temporais e possibilitam encenações de grande ousadia, com diferentes possibilidades de planos de ação dramática. Outros autores do panorama contemporâneo brasileiro são: Jorge de Andrade (1922-1983), Plínio Marcos(1935-1999), Ariano Suassuna (1927), Dias Gomes (1922-1999), entre outros.
O Grupo Oficina era um coletivo de atores cujo objetivo era explorar os limites criativos do teatro brasileiro em sua época. Surgiu em São Paulo, no início dos anos 60, sob a direção polêmica de José Celso Martinez Corrêa. O Teatro Oficina vai constituir um novo caminho para a arte teatral brasileira, até então representada pelo“teatrão” do TBC (o Teatro Brasileiro de Comédias, tradicional companhia voltada para a montagem de espetáculos com qualidade internacional, dirigidos ao consumo cultural da burguesia paulistana) e pelo trabalho do recém-criado Teatro de Arena (que, com Augusto Boal, Oduvaldo Vianna Filho e Gianfrancesco Guarnieri, realizava montagens politicamente engajadas). O Oficina e Zé Celso privilegiaram, deforma radical e permanente, a inovação, o experimentalismo, a investigação e a busca de novas linguagens para o teatro, do que resultaram montagens polêmicas como Na selva das cidades, Galileu Galilei, Os pequenos burgueses e Roda viva – texto de Chico Buarque de Holanda, cujo espetáculo foi invadido e teve os atores espancados por radicais de direita ligados ao CCC, o Comando de Caça aos Comunistas.A relação do Oficina com o tropicalismo dar-se-á com a encenação, em 1967, da peça O Rei da Vela, texto do modernista Oswald de Andrade, cuja montagem transformou-a num marco histórico do teatro brasileiro. O texto radical de Oswald sobre as agruras e falcatruas de um capitalismo tupiniquim e o experimentalismo do espetáculo, que misturava circo, chanchada, deboche, sexo e pornografia, produziuno público um misto de fascínio e revolta ao inaugurar o chamado “teatro de agressão” – um caminho perseguido por Zé Celso para romper “na base da porrada” o estado anestésico em que se encontrava o público de classe média. Caetano Veloso, que havia acabado de compor a canção “Tropicália”, assistiu à montagem da peça e, assim como acontecera quando assistira ao filme Terra em transe, de GlauberRocha, identificou-se imediatamente com o que vira, sentindo uma revelação de que algo novo estava surgindo no panorama artístico-cultural do Brasil. Era inaugurada a curta e fulminante era tropicalista.


Em Sao Paulo, nos anos 60, o Teatro de Arena revela Augusto Boal (1931-), Gianfrancesco Guarnieri (1934-) e Oduvaldo Vianna Filho No Grupo Oficina, Jose Celso Martinez Correa (1937-) monta...
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