Alberto Caeiro na ptica de lvaro de Campos Ricardo Reis e do pr prio Pessoa Ort nimo

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Alberto Caeiro na óptica de Álvaro de Campos, Ricardo Reis e do próprio Pessoa Ortónimo

Mover-se pela sua vastíssima obra torna-se, portanto, semelhante a perder-se por entre os seus poemas, entranhar-se por entre os seus caminhos desconhecidos, isto porque Fernando Pessoa não é de fácil acesso, ele suscita ao leitor uma visualização de representações, de imagens, como se o leitor tivesse, através da sua leitura e dos seus diversos heterónimos e semi-heterónimos, a ideia de penetrar num mundo irreal e são essas representações que embelezam a sua obra. É precisamente de um dos heterónimos pessoanos que se pretende, com este trabalho, analisar e esse heterónimo é Alberto Caeiro. Tentar-se-á explicar o porquê de todos os heterónimos, semi-heterónimos pessoanos e até o próprio Pessoa Ortónimo considerarem Caeiro como um “Mestre”. Pessoa Ortónimo escreveu alguns textos que nos permitem, de certo modo, explicar este fenómeno da heteronímia. Considerando desde logo a famosa carta de Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, carta esta que ficou conhecida como a «carta sobre a Génese dos Heterónimos» datada de 13 de Janeiro de 1935, o poeta conta que lhe suscitou a lembrança de «um dia fazer uma partida ao Sá-Carneiro – de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, (…) em qualquer espécie de realidade» (PESSOA, p.342). Relativamente a este excerto poder-se-á supor que o nome deste heterónimo pessoano pretende ser, ou fazer, alusão ao nome de Carneiro, porém sem a carne, para um pastor dos quais os carneiros foram espiritualizados em pensamentos, como nos indicam dois versos de Caeiro da sua obra “Guardador de Rebanhos”, «Minha alma é como um pastor» e «O rebanho é os meus pensamentos» (CAEIRO, pp.21 e 42). Segundo esta mesma carta, sobre a origem dos heterónimos, Fernando Pessoa declara que o dia em que tomou contacto com Caeiro aparecera-lhe o seu mestre como podemos ver neste trecho:
«foi em 8 de Março de 1914 -, acerquei-me de uma cómoda alta,

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