Agricultura Familiar e Sustentabilidade

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  • Publicado : 24 de março de 2014
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O texto, Agricultura Familiar e Sustentabilidade de José Eli da Veiga, professor associado da USP, apresenta uma visão panorâmica do processo de afirmação da agricultura familiar, aborda também a própria naturezada transição agroambiental e aponta as vantagens da empresa familiar para a sustentabilidade da agricultura.
High farming era um termo usado par indicar uma nova onda de tecnológica quetinha a debulhadora a vapor e colheitadeira mecânica, identificava, o fascínio pelo high farming era muito forte, era a expansão do capitalismo, porem era impossível converter uma economia tão profundamente camponesa em grandes fazendas cultivadas por peões e administradas por patrões arrendatários.
O texto mostra que o High Farming foi um fenômeno passageiro, durante o surto os saláriosaumentaram. Houve uma significativa diminuição dos custos de transporte, devido à navegação a vapor, ao aumento da capacidade dos navios (que passaram a ser de ferro e logo depois de aço) e à expansão ferroviária. A pressão pela reforma agrária ganhou novo impulso, em 1906, com a vitória do Partido Liberal, ferrenho anti-landlordista. Um de seus principais líderes, Lloyd George, havia sido justamente oadvogado dos sem-terra do País de Gales.
O caráter essencialmente familiar da agricultura americana não parou de se afirmar. Contrariamente ao que muitos pensam, as corporações patronais continuam a ser exceção. O último Censo Agropecuário indica que sua participação nas vendas do setor é declinante, representando apenas 6% em 1992 (US$9,8 bilhões).
A predominância da agricultura familiar duranteo quinto ciclo sistêmico do capitalismo também pode ser constatada em todos os países considerados desenvolvidos. O Brasil é um dos exemplos mais chocantes da opção inversa, isto é, de enorme tolerância com a oligarquia fundiária e claro favorecimento da agricultura patronal.
Em rigor, o sistema agrícola brasileiro começou a surgir com o complexo cafeeiro, no final do ciclo britânico. Antes, asatividades agropecuárias não haviam chegado a formar qualquer nexo sistêmico. E a maneira como as elites dirigentes aboliram a escravidão e importaram colonos para as lavouras de café teve o mesmo sentido histórico da “segunda servidão” do Leste europeu.
Durante os 20 anos de ditadura militar a saída encontrada pela população rural excedentária foi o movimento migratório, principalmente para asregiões de fronteira, onde procuravam se fixar como posseiros. No entanto, a política de ocupação do oeste, por meio de incentivos fiscais, reduziu o alcance dessa válvula de escape.
Nos países mais desenvolvidos há um movimento social em ascensão que ataca em três frentes: combate a degradação dos agroecossistemas provocada pelo processo modernizador do século XX; exige novas regras disciplinarespara o sistema agroalimentar; e promove práticas mais adequadas à preservação dos recursos naturais e ao fornecimento de alimentos mais sadios. Essa é a tripla missão das campanhas pela agricultura sustentável.
Mas não se pode ter a ilusão de que esteja em curso uma revolução agroambiental. Essa ideia tem sido muito alimentada por uma interpretação sociológica inspirada nas ideias de Thomas Kuhnsobre o conflito de paradigmas gerador das “revoluções científicas”. Segundo essa visão, os movimentos rebeldes (orgânico, biodinâmico, biológico e natural) seriam portadores de um novo paradigma, conflitante com o paradigma dominante, isto é, a ciência agronômica normal.

O que estimula o desenvolvimento de um novo paradigma é muito mais a percepção de que pode haver algo de errado com oparadigma dominante do que a possibilidade de que a resistência ao novo paradigma venha a parecer ilógica. Mesmo reduzida a apenas dois sentidos, a noção de paradigma está longe de ser clara. Fica-se sem saber se essa teoria sobre as revoluções científicas se aplica apenas aos grandes sistemas de pensamento, ou se vale também para várias teorias ou modelos internos a um mesmo sistema de pensamento....