Agente comunitario

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  • Publicado : 27 de julho de 2011
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O papel do agente comunitário de saúde no SUS
No interior escuro e esfumaçado de um barracão, Maria, com 1 ano de idade, estava sentada quieta no chão de terra, entorpecida pela diarreia e desnutrição.
Com outras sete crianças para criar, a mãe de Maria, Antônia Souza Lima, explicou que não podia se dar ao luxo de uma caminhada de uma hora e meia, ou de pagar 40 centavos pela passagem deônibus, para levar sua bebê moribunda ao posto médico mais próximo.
Piorando aos poucos, Maria parecia destinada a se tornar mais uma das 250 mil crianças brasileiras que morrem antes de completar 5 anos de idade.
Mas, em um novo esforço para reduzir a devastadora taxa de mortalidade infantil, uma agente comunitária de saúde começou recentemente a vir toda semana à casa de Antônia, trazendo soro dereidratação oral para Maria e informações sobre higiene para sua mãe, que tem uma televisão mas não um filtro de água.
Com o novo programa de saúde pública, envolvendo um exército de trabalhadores de saúde de baixo custo, o estado do Ceará está mostrando para o Brasil que às vezes, mesmo em tempos de austeridade econômica, a mortalidade infantil pode ser reduzida.
Em quatro anos, o Ceará, um dosestados mais pobres do Nordeste brasileiro, reduziu sua mortalidade infantil em cerca de um terço. O número de bebês que morria antes de seu primeiro aniversário era de 39 para cada 1000 nascidos vivos em 1990, quando a pesquisa foi realizada pela última vez; em 1987, esse número era de 57 por 1000.
[...] Erismar Rodrigues de Lima, uma vizinha de Antônia, ouviu atentamente às instruções sobre afiltragem de água. “Eu sou a primeira pessoa da minha família a ter recebido cuidados pré-natais”, disse a mulher de 22 anos, que espera um bebê para junho.
Esse relato foi publicado numa matéria do New York Times em 1993, quando o Ceará ganhou o prêmio Maurice Pate, da Unicef, pela redução da mortalidade infantil. O programa Viva Criança, como era conhecido na época, foi criado pelo estado em 1987,quando o país começava a se recuperar do endividamento e da desigualdade social causados pelo milagre econômico.
Os agentes de saúde, como eram conhecidos na época, não foram uma criação do Ceará. Em 1979 eles já existiam no Maranhão, e após um documento de 1985 da Unicef eles foram adotados em várias cidades brasileiras e em outros países do terceiro mundo (pobres). Mas foi sem dúvida o sucessodo programa no Ceará que impulsionou a criação do PACS e do PSF no Brasil. Dr. Carlyle Lavor, secretário estadual de saúde que criou os agentes de saúde no Ceará, conta como tudo começou:
[...] surgiu uma seca no Ceará e houve a necessidade de empregar as pessoas que estavam sem emprego e passando fome. Então, sugerimos a idéia de empregar mulheres. Sempre nas emergências se empregam os homens,mas há muitas mulheres que não têm marido, que são as donas da casa. Então sugerimos empregar 6 mil mulheres, que era o cálculo que a gente tinha feito de agentes de saúde necessários para o estado. Foram selecionadas 6 mil mulheres dentre aquelas mais pobres do estado, que eram escolhidas por um comitê formado por trabalhadores, igreja, representantes do estado e município. A gente definiu coisasmuito simples e que eram muito importantes para a saúde, como conseguir vacinar todos os meninos, achar todas as gestantes e levar para o médico, ensinar a usar o soro oral. Assim, dentro de quatro meses, treinamos 6 mil mulheres sem nenhuma qualificação profissional. E o mais importante é que fossem pessoas que a comunidade reconhecia, mulheres que merecessem o respeito da comunidade. Assim foio início do trabalho. Cessou o programa de emergência de atendimento à seca que tinha 200 mil trabalhadores. Mas essas mulheres da saúde foram as únicas que continuaram a trabalhar, porque o sucesso foi grande demais.
No mesmo documento encontrei outro relato, de uma agente comunitária de saúde, que ilustra bem outra face da importância da profissão:
A gente mora no bairro, próximo a pessoas...
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